domingo, 24 de abril de 2011

Reflexão




"a Revolução de 1776 nos deu a liberdade; quem nos deu a igualdade foi Samuel Colt". (Ditado Norte-Americano)



O atirador de Realengo e os desarmamentistas: locos si, pero no tontos

Description: http://www.implicante.org/wp-content/uploads/2011/04/sou-da-paz.jpg

Por Flavio Morgenstern:

Um atirador entra na escola onde estudou em Realengo e mata 10 meninas e um menino, deixando dezenas de outros feridos. Isso é falta de:

a) Socialismo;

b) Bolsa-Família;

c) Fim da sociedade patriarcal;

d) Proibição da venda de revólveres de baixo calibre;

e) Cadeira-elétrica.

(faltando é claro a opção “é tudo culpa do Bolsonaro”.)

Agora que o Brasil ganhou, infelizmente, o seu primeiro caso a la Columbine, uma camorra de “especialistas” que só são especialistas a posteriori veio a público dar suas soluções milagrosas para a violência (entre eles destaca-se Paulo Henrique Amorim, para quem a tragédia está ligada à “imprensa golpista” que segue ordens da embaixada dos EUA para promover a islamofobia).

Na Lei de Murphy já aprendemos: especialista é um cara que veio de fora. No entanto, os preconceitos e idiotias que pipocam nessas horas são da época em que o arco-íris ainda era em preto-e-branco. O mais at hand de todos eles, aquele que sempre pode ser sacado em caso de emergência, é a questão do desarmamento da população.

O simples fato do lobby sobre proibição do porte de armas voltar a surgir das trevas quando um assassino mata crianças usando 2 armas frias já diz bastante sobre esse tipo de pensamento anti-armas.

O argumento central também já foi tão repisado que não vale mais a pena lidar com ele: fala-se que com menos armas circulando, haveria menos possibilidade de crimes – quando é consabido que tais crimes são cometidos quase sempre com armas ilegais (ou será que alguém acredita que o maluco realmente comprou a arma de uma loja autorizada, fez o registro e consegui o Porte que é absurdamente dificil de conseguir no Brasil?).

Ademais, alguém já VIU uma loja de armas de fogo? Onde tem uma? Porque os donos dessas lojas devem estar faturando horrores com uma loja em cada esquina pra conseguir alimentar todo o PCC, o CV, os Amigos dos Amigos e todos os assaltantes que vemos por aí… no estado em que estão Petrobras e Vale, logo logo as lojas de armas se tornarão a primeira blue chip da Bovespa!

O problema aqui é como a quizumba toda é colocada: a violência seria um “fenômeno complexo”, que não pode ser explicado por meio de “explicações simplistas”. Curiosamente, esse argumento costuma vir das mesmas bocas que querem proibir o cidadão de andar armado, sem atinar com a origem das armas de crimes.

Para eles, a polícia faz apenas uma parte ínfima do trabalho. O grosso da coisa vem de ONGs, diminuição do desemprego, AfroReggae e outras instituições de bater lata. Aparentemente, os policiais pouco fazem pela diminuição da violência: quem merece uma medalha mesmo é o Mano Brown.

É um pensamento curioso: segundo essa visão, o sargento Alves que parou o assaltante com um tiro fez bem menos do que a diminuição do desemprego em 0,2%. Onde já se viu ver heroísmo nisso, quando heróis são burocratas do governo?! Talvez, vá saber, o lunático tivesse matado umas duas crianças a menos se estivesse desempregado há menos tempo. Aliás, alguém aí analisou se o rapaz estava mesmo desempregado?!

Os dados sobre desemprego e violência não batem. A criminalidade em SP tem caído constantemente, quase de forma independente das oscilações da taxa de desemprego:

Description: http://www.implicante.org/wp-content/uploads/2011/04/fig-1-desemprego.jpg

Description: http://www.implicante.org/wp-content/uploads/2011/04/fig-2-seguranca.jpg

Por essa lógica, os bairros mais pobres de SP deveriam ser os mais violentos. Curiosamente, os mais pobres e os mais violentos simplesmente não batem.

Em 1999, em Diadema, ocorreram 102,82 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Já em 2007 esse número reduziu para 21; em 2006, essa taxa ficou estável com 20 ocorrências.

Desemprego? Organizações criminosas? Ou proibição de bar de madrugada e mais polícia? Quá, quá, quá.

Sendo essa visão tacanha um dos shibboleth que definem o que é que a esquerda pensa, fica fácil perceber que a esquerda considera que pobres são pessoas desonestas e perigosas, enquanto a direita pensa que pobres são vencedores, porque são a maioria da população e permanecem honestos. Mas é só a esquerda que gosta de pobre, né?!

Assim, a “visão complexa” do fenômeno da violência, na prática, é apenas reduzir o fenômeno da violência a seus entes secundários: tudo funciona, exceto polícia. Mesmo que o ranking das cidades mais seguras no gráfico acima apresente todas as capitais – e em todas elas houve diminuição do desemprego (sobretudo no Nordeste, onde estão a maioria das cidades mais violentas), ONGs, reggae, conversões religiosas etc.

Acontece que dar valor à polícia implica “gostar” de punições. O que sempre dá a pecha à classe média de “fascista”. Como se fascismo tivesse alguma coisa a ver com punições rigorosas a crimes hediondos. E como se o desejo de se punir tais crimes viesse de uma busca sádica subconsciente de obter prazer através da dor ao próximo (algolagnia ativa), o que torna cada cidadão da “classe média” alguém que quer ser um Rambo e que obtém um prazer quase sexual ao ver sofrimento alheio – e, de uma maneira estranha, apenas o cidadão que quer ver criminoso sendo punido obtém esse prazer, não o criminoso que sai matando por aí (por caricata e ridícula que seja essa visão, ela é amplamente defendida por intelectuais como Michel Foucault e Jacques Lacan, ídolos dos coitadistas penais que abundam nas faculdades de Direito desse país).

O melhor mesmo é buscar “complexidades” que servem apenas para evitar se chocar com o óbvio: mais bandidos presos, ruas mais seguras, vidas salvas. De quebra, ainda dá pasto e circunstância para o velho ódio à classe média pela própria classe média. Um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você.

Violência: o que se vê, o que não se vê

Os bonzinhos, legais, intelectuais, antenados e descolados também têm um proto-argumento pronto para quando dão de cara com essa sanha “fascista” da “classe média” em querer justiça (como se a classe pobre não tivesse ainda mais clamor contido por justiça).

Trata-se do lugar-comum “a classe média deseja punição por um desejo irracional – punições mais rigorosas não diminuem a criminalidade”. É doloroso como o rótulo “irracional”, impingido ao adversário ad nauseam, dá estranhos ares de “racional” ao próprio discurso, mesmo que essa repetição do rótulo seja a coisa mais irrefletida possível.

Esse estrategema é bastante comum quando se discute a pena de morte (como se a crítica ferrenha á prática não pudesse ser bastante irracional, fanática e pouco humanitária), mas também quando usam a propaganda desarmamentista usando tragédias como desculpa (como o caso de Realengo).

De um lado estão os irracionais da classe média, que são apenas poços de vingança, alimárias bestiformes que só por cortesia podem ser chamados de formas inteligentes de vida, babando sua bile negra que só pensa no sangue daqueles que ganham menos do que eles (seja os explorando, seja querendo puni-los quando cometem crimes, baseando-se na idéia de que tais crimes são cometidos por estes outros cidadãos ganharem menos).

De outro lado, todos os racionais que criticam qualquer pena que não dê liberdade para criminosos o mais brevemente possível são todos versados nas algaravias de Voltaire, em mentirosos compulsivos como Rousseau, malucos da gema como Marquês de Sade e homicidas como Althusser – todos elevados à categoria de ipse dixit como gênios mais alterosos da humanidade, aos quais qualquer refutação é barbarismo obscurantista.

Não importa que países cuja população costuma se armar ferozmente sejam bem mais seguros do que o Brasil: sempre que se comenta que praticamente 100% da população adulta suíça possui uma arma (com o corolário interrogativo mais inescapável: você prefere fazer um assalto num vagão de trem em Guainazes ou em Berna?), imediatamente se obtempera com a “razão pura”: a cultura deles é diferente – como se armas não fizessem parte dessa tal cultura de segurança, e como se brasileiros tivessem lá alguma disposição para a criminalidade que os suíços, americanos, canadenses et tutti quanti não tenham.

Aí chega-se à papagaiada mais chumbreca que foi martelada em nossos ouvidos na época do desarmamento: está mais do que comprovado que quem tem armas morre em assaltos.

Ora, alguém aí tem os dados de quantos assaltos foram evitados (e vidas foram salvas) dando-se dois tiros pro ar quando alguém tentava invadir uma propriedade rural? Alguém crê que a primeira providência do quase-assaltado foi correr para uma cidade grande no meio da noite para fazer um Boletim de Ocorrência (ridiculamente, a forma como essas “estatísticas” são feitas)?

Alguém aí tem os dados de quantos % das pessoas armadas evitaram assaltos, em oposição a quantos % foram mortas com a própria arma? Em brigas de trânsito é comum ouvir o estulticoco de que, se uma das partes está armada, sempre mata a outra parte – alguém tem os dados de quantas brigas de trânsito ocorreram em qualquer cidade no último mês, e quantos % das pessoas armadas não usaram suas armas?

Ou o modo genial de chegar a essa conclusão de nossos “especialistas” (sociólogos devem ser os campeões em todos os concursos de matemática estatística) foi verificar as brigas de trânsito com ferimentos por armas e concluir que, então, por não haver registro de brigas entre armados que não terminaram virando caso de polícia, concluem aristotelicamente logo bater no retrovisor de alguém armado tem como resultado tiro na caçuleta na certa?!

Com efeito, parece que a população pobre brasileira é perversa, já que a pobreza faz com que a moral vá pro vinagre (e a julgar pelo réveillons do PCO, uma moral socialista deve mesmo custar bem caro). E a população armada é composta apenas por loucos irracionais, prontos para usar sua arma como instrumento de virilidade, votando no Maluf, no Bolsonaro e em Mussolini.

Para piorar, há uma pendenga entre coletivo e individual acontecendo aqui. O cidadão que usa uma arma para se defender age individualmente – coisa próxima da ilegalidade para o establishment reinante no Brasil. O correto é privatizar a sua defesa, e só deixar que o Estado, que detém o monopólio da violência, te proteja. Caso não dê tempo do Estado chegar a tempo de evitar uma chacina, sempre se pode andar de branco e fazer a pombinha da paz com as mãos.

Bullying: Though this be madness, yet there is method in’t.

Está claro a todos que nosso atirador era maluco. Isso não torna o caso um octógono de vale-tudo de interpretações possíveis: se é fácil perceber a loucura, é porque há uma série de eventos que demonstra que se agiu de maneira já conhecida – o que caracteriza o comportamento não-padronizado (essas coisas da sociedade hipócrita, como não atirar em crianças), insano.

O caso agora vem sendo explicado através do bullying. E foi com o bullying que primeiramente aprendemos que a forma civilizada e democrática de resolver conflitos é apelando a uma autoridade superior que combinamos anteriormente ser a única outorgada a partir pra ignorância: a diretora. Mas, tão ou mais importante, aprendemos que a porradaria é selvagem e brutal, mas espertinha o suficiente para só comer solta bem longe dos olhos de professoras, monitoras barangas e mesmo da tia da cantina.

Assim como os assassinos escapam de penas severas com o pensamento coitadista (e “racional”) de se alegar “insanidade temporária” (dê um pratinho de cocô pra ver se o desgramado come, ou analisa se ele rasgou dinheiro logo depois de tê-lo roubado para averiguar essa “insanidade”), aqui trata-se de tirar do cidadão (desde tenra infância) sua possibilidade de defender-se sozinho, e depois que a autoridade (estatal ou da diretora) não consegue agir a tempo, reclama-se que é preciso ter MAIS atuação dessa autoridade.

Quando eu estava na quarta série, voltava sozinho da escola de ônibus. Às vezes, para trocar o dinheiro do ônibus por uma tubaína, voltava a pé, numa longa rua numa cidade do interior. Numa dessas, dei de cara com uma criança de uma gangue adversária à de um primo meu. O problema é que é uma dessas crianças que valem por 3, enquanto eu sempre fui mirrado e franzino.

Não tive outra opção que não correr. Por 10 metros. Assim que cheguei a um terreno de uma construção, estava munido de uma pedra tão grande que seria o equivalente na vida real a soltar um hadouken com as três barras de especial e a energia piscando na reserva. Antes que eu transformasse nossa animada partida de Street Fighter em um sanguinolento Mortal Kombat, meu desafiante valentemente picou a mula.

Imagine o que seria se eu precisasse esperar um adulto, a autoridade “de fora”, para conter a briga? Não é preciso atentar para que a rua estava repleta delas – e enquanto eu não estivesse com apenas 3 dentes malemolentes restando na arcada, ninguém daria bola para minhas súplicas, porque criança é assim mesmo e não se bate em filho dos outros.

Acontece que essas pestes, quando crescem e resolvem praticar o mesmo tipo de agressividade, o fazem com metralhadoras. E aí a vítima terá ainda MENOS tempo de pedir socorro a uma autoridade capaz de conter uma arma desse porte. Se nunca precisei refazer meus dentes foi porque “andei armado” quando precisei. Isso é justiça. Justiça é tratar igualdade os iguais, e desigualmente os desiguais, já determinava Aristóteles. Pois todos os homens nascem diferentes: Samuel Colt os tornou todos iguais, inventando o melhor instrumento nivelador de forças da História: o revólver.

(E nem entro na questão do gordinho ter evitado bullying nele próprio a vida inteira não recorrendo às professoras, que pouco poderiam fazer para defendê-lo, mas sim descendo a porrada no cocoruto alheio.)

É preciso que alguém fale o que nunca se falou antes na história desse país –Bullying: eu sofri. Eu pratiquei. Ninguém saiu matando crianças por isso. Eu aprendi que não posso atacar alguém injustamente, mas quando sou atacado, a sobrevivência (do meu Sistema Nervoso Central ou só da minha arcada dentária) pode depender muito mais de uma arma do que de rezar para uma autoridade aparecer e negociar pacientemente com meu agressor. Que não faz o menor sentido tirar toda a possibilidade de defesa pelo próprio cidadão de sua vida – e depois exigir MAIS Estado para cuidar dela.

Enquanto não vir um desses psicopatas (um spree killer no caso, não um serial killercomo já erroneamente foi afirmado) sair atirando num clube de caça, num treinamento de tiro, no posto de treinamento da infantaria da polícia – ao invés de abrir fogo apenas em escolas, hospitais e igrejas, será apenas o velho loco si, pero no tonto, que caracterizava Dom Quixote. Aquele “insano” que mede muito bem os seus atos – mas sempre será apenas alguém sem lógica para algum extremo-racional humanista que o defenda.

* Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia.

YouTube - Vídeos desse e-mail

What the Americans think about British accents Hilarious!

O que manda mesmo é $$ e petróleo...

Vamos fazer guerra a todos eles?

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Folha de S.Paulo, 10.04.11


A Líbia, por não se mostrar dócil ao colonialismo informal das potências, agora está sendo punida


"O espetáculo de mísseis americanos, britânicos e franceses pulverizando países árabes e muçulmanos no meio da noite provoca um pressentimento. Tais aventuras geralmente começaram com boas intenções e um ingênuo excesso de confiança, mas..."

Com essas palavras a "The Economist" iniciou seu editorial de 26 de março. Analisava a nova "guerra humanitária" empreendida pelo Ocidente. E perguntava: "Como terminará ela?"

Eu também não sei, mas estou seguro que nessa aventura não há boas intenções. Não se busca "impedir o massacre de um povo insurgente", como se alega, mas sim recuperar o domínio sobre um país rico em petróleo e governado por um ditador que é violento e desagradavelmente nacionalista.

O problema é que esse governo soube usar a riqueza do petróleo para alcançar um razoável grau de desenvolvimento, de forma que não será tão fácil derrubá-lo.

O Ocidente aproveitou a oportunidade criada pela rebelião na Tunísia e no Egito para iniciar a guerra, mas naqueles países havia dois povos em revolta lutando pela democracia. Na Líbia, porém, não há povo em revolta. Há luta de tribos, há guerra civil.

A única manifestação "de massa" que os fotógrafos jornalísticos conseguiram flagrar foi a de uma massa de automóveis em Benghazi comemorando os bombardeios. Quanto ao massacre previsto, já estão morrendo mais líbios do que provavelmente morreriam se não houvesse a intervenção estrangeira.

Esta guerra não terminará bem porque há muito desapareceu a legitimidade de aventuras imperialistas. No século 19, ser um império era uma glória para um país rico e industrial. Mas o imperialismo causou tantos males aos povos dominados que, depois da Segunda Guerra, eles se libertaram e o colonialismo aberto passou a ser condenado.

Foi, entretanto, substituído pelo colonialismo informal: a associação das velhas metrópoles com elites corruptas dos países pobres.

O Oriente Médio foi o objeto privilegiado desse tipo de associação, ao lado dos pobres países da América Latina e da África. Apenas os países asiáticos e alguns países como a Líbia não se mostraram dóceis a esta nova forma de dominação.

Por isso, cresceram e melhoraram o padrão de vida de sua população. Seu índice de desenvolvimento humano está em 52º lugar, contra o 72º lugar do Brasil.

Agora, as duas velhas potências imperiais, a França e o Reino Unido, seguidas pelos Estados Unidos, punem essa insubordinação.

O novo paladino do Ocidente é Nicolas Sarkozy, que imagina lograr ser reeleito desta maneira. Ele subestima os franceses. Como todos os povos, eles são também nacionalistas, mas os franceses sabem que essa guerra faz pouco sentido, e que não podem confiar em Sarkozy.

Por isso, não obstante a guerra fosse aprovada por 61% da população, seu índice de popularidade desceu para níveis muito baixos: em 6 de abril, depois de iniciada a guerra, atingiu 30%. Como a esperança que a guerra seria vencida rapidamente mostrou-se equivocada, esse apoio localizado logo desaparecerá.

O que restará é mais uma guerra sangrenta, nada humanitária, contra um ditador que pouca coisa tem a seu favor. Mas há tantos ditadores nas mesmas condições. Vamos fazer querra a todos eles?

Luiz Carlos Bresser-Pereira
Globalization and Competition
Published in French (La Découverte),
Portuguese (Campus)
and English (Cambridge University Press)
www.bresserpereira.org.br

The Godfather in One Minute and One Take

Want Innovative Thinking? Hire from the Humanities

How many people in your organization are innovative thinkers who can help with your thorniest strategy problems? How many have a keen understanding of customer needs? How many understand what it takes to assure that employees are engaged at work?

If the answer is "not many," welcome to the club. Business leaders around the world have told me that they despair of finding people who can help them solve wicked problems — or even get their heads around them. It's not that firms don't have smart people working with them. There are plenty of MBAs and even Ph.Ds in economics, chemistry, or computer science, in the corporate ranks. Intellectual wattage is not lacking. It's the right intellectual wattage that's hard to find. They simply don't have enough people with the right backgrounds.

This is because our educational systems focus on teaching science and business students to control, predict, verify, guarantee, and test data. It doesn't teach how to navigate "what if" questions or unknown futures. As Amos Shapira, the CEO of Cellcom, the leading cell phone provider in Israel, put it: "The knowledge I use as CEO can be acquired in two weeks...The main thing a student needs to be taught is how to study and analyze things (including) history and philosophy."

People trained in the humanities who study Shakespeare's poetry, or Cezanne's paintings, say, have learned to play with big concepts, and to apply new ways of thinking to difficult problems that can't be analyzed in conventional ways. Here are just a few things that the liberal arts crowd can help you with:

Complexity and ambiguity. Too many companies lack the scope of understanding to stop problems before they start, because their people are too focused on immediate tasks, or buried under so much data that they can't see warning signs. The BP oil disaster, the manufacturing problems at Johnson&Johnson and Genzyme and many others might have been avoided if they had learned to identify ambiguous threats.

Any great work of art — whether literary, philosophical, psychological or visual — challenges a humanist to be curious, to ask open-ended questions, see the big picture. This kind of thinking is just what you need if you are facing a murky future or dealing with tricky, incipient problems.

Innovation. If you want out-of-the-box thinking, you need to free up people's inherent creativity. Humanists are trained to be creative and are uniquely adapted to leading creative teams. (A case in point: Steve Jobs, who openly acknowledges how studying the beautiful art of calligraphy led him to design the Macintosh interface.)

Communication and presentation. Liberal arts graduates are well-trained in writing and presenting, making them natural fits for marketing, training, and research. A focus on writing (which you need for degrees in history, literature, philosophy, and rhetoric) helps people develop persuasive arguments, and a background in performance (such as theater or music) gives people great presentation skills. And an understanding of history is indispensable if you want to understand the broader competitive arena and global markets.

Customer and employee satisfaction. The ability to "get under the skin" of customers and employees to discover their real needs and concerns demands something other than surveys, which yield superficial information. Instead, you need keen powers of observation and psychology — the stuff of poets and novelists.

What else? A person who has studied a foreign language or literature can run your overseas offices, or help with your global strategy by providing local insight or business analysis. Philosophers can help you with ethics. Historians can help you understand the past while giving you a picture of the future. (Just ask P&G's A.G. Lafley, who once planned to be a professor in medieval and Renaissance history.)

If you want another good reason to hire from the humanities, consider this: consulting firms like McKinsey and Bain like to hire them for all the reasons I've described above. You can hire liberal arts graduates yourself, or you can pay through the nose for a big consulting firms to hire them to do the thinking for you.

Tony Golsby-Smith is the founder and CEO of Second Road, a business design and transformation firm headquartered in Sydney, Australia.