terça-feira, 3 de novembro de 2009
LUTO - Morreu a Estrutura...
Morre aos 100 anos o antropólogo Lévi-Strauss
Do UOL Notícias*
Em São Paulo
O etnólogo e antropólogo estruturalista belga Claude Lévi-Strauss morreu na noite de sábado para domingo (1º) aos 100 anos, de acordo com um porta-voz da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais de Paris, na França. As informações são do jornal francês "Le Monde".
Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos grandes pensadores do século 20. Ele tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.
De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia sua verdadeira paixão. No Brasil, lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central. É o registro dessas viagens, publicado no livro "Tristes Trópicos" (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra ele conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.
Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.
O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de indígenas das Américas do Sul e do Norte.
O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. "Estruturalismo", diz Lévi-Strauss, "é a procura por harmonias inovadoras".
Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas lingüísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em "O Pensamento Selvagem", que a língua é uma razão que tem suas razões - e estas são desconhecidas pelo ser humano.
Lévi-Strauss não via o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta.
Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integrou também muitas academias científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras.
Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: "Fico emocionado porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente".
*Com informações da Página 3 Pedagogia & Comunicação
domingo, 25 de outubro de 2009
Matemática Interessante
Maio de 2009, numa cidade litorânea do RS, muito frio e mar agitado, a
cidade parece deserta... Os habitantes, endividados e vivendo as
custas de crédito. Por sorte chega um viajante rico e entra num pequeno
hotel.
O mesmo saca duas notas de R$ 100,00, põe no balcão e pede para ver um
quarto. Enquanto o viajante vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo
com as duas notas de R$ 100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o
açougueiro.
Este, pega as duas notas e vai até um criador de suínos a quem deve e
paga tudo.
O criador, por sua vez, pega também as duas notas e corre ao veterinário para
liqu idar sua dívida.
O veterinário, com a duas notas em mãos, vai até a zona pagar o que devia a
uma prostituta (em tempos de crise essa classe também trabalha a
crédito).
A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde, as
vezes, levava seus clientes e que ultimamente não havia pago pelas
acomodações, e paga a conta.
Nesse momento, o gringo chega novamente ao balcão, pede as duas notas de
volta, agradece e diz não ser o que esperava e sai do hotel e da
cidade.
Ninguém ganhou nenhum vintém, porém agora toda a cidade vive sem
dívidas e com o crédito restaurado, e começa a ver o futuro com confiança!
MORAL DA HISTÓRIA: Quando o dinheiro circula, não há crise!!!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
Eu ouviria as piores notícias...
Foi um dos melhores livros que eu já li...
Paixão Nacional
Camila Pitanga vai encarnar a musa Lavínia. Na versão cinematográfica do romance Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, de Marçal Aquino.
Esteja na Trafalgar Square tal dia, tal horário!
A empresa simplesmente mandou um convite pelo celular: "esteja na Trafalgar Square tal dia, tal horário".
E nada mais foi dito.
Os que foram acharam que iam dançar, como tem acontecido em outras mobilizações desse tipo.
Mas, na hora, distribuíram microfones, muitos, muitos, muitos mesmo, e fizeram um karaokê gigante, de surpresa!!!
E todo mundo que estava na praça, quem estava passando, quem nem sabia do convite, cantou junto.
É de arrepiar.
Se você um dia curtiu os Beatles, vai gostar.
sábado, 5 de setembro de 2009
O que é uma mulher? (Revista Papo de Homem)
Publicado por Gustavo Gitti em 05.8.2009 às 11:51 em Entrevistas, Sexo e Relacionamentos

Perguntei “O que é uma mulher?” para 11 amigas lindas e, ainda assim, comuns, facilmente encontradas andando por aí – atrás de você no escritório ou no apartamento ao lado. Muito mais do que ouvir a Angelina Jolie falar sobre o que é ser mulher, eu quero saber o que as garotas next-door têm a dizer.
Com vocês, 11 mulheres falando no modo papo de homem: curtas, diretas e precisas. OK, às vezes nem tanto. Generosas, muitas transformaram suas falas em dicas para aqueles homens sedentos por manuais de sedução. Não sei se é uma pegadinha, cabe a vocês testarem.
“Mulher é o seguinte…”
“Mulher é o seguinte: no primeiro encontro seja gentil, pague a conta e abra a porta. No segundo encontro faça a moça rir, sorrir de lembrar de coisas bobas durante o dia seguinte e sentir vontade de estar do seu lado pra vocês rirem juntos de novo.
E no terceiro encontro: ah, mermão, faça ela ajoelhar! That’s it!”
–Fernanda, 26 anos
“Em 1907, Gustav Klimt já sabia do que nós gostamos.”
“Loucas porque…”
“Mulheres são tão loucas que chegam até a se interessar por homens. Se fossem sãs, ficavam se amando, completas, lindas e perfeitas como são.”
–Sandra, 33 anos
“Uma ideia que você cria…”
“Mulher é uma ideia que você cria na sua cabeça. Considera que é de porcelana, frágil. Ou prefere achar que faz parte do esteriótipo de moderna, independente. Mulher é, friamente falando, um resultado bioquímico como você, influenciada por um bando de hormônios e mais um monte de sonhos, ideias desconexas e um punhado de sentimentos.
Mulher pode até te remeter àquela sensação de fragilidade, inocência, mas no final as mulheres são uma bela combinação de contrastes e, por isso, não têm definição.”
–Luma, 23 anos
“Uma personagem por dia…”
“De Dona Flor a Velma Kelly, uma personagem por dia em uma sinceridade que exala. Mas eles, loucos que são, se interessam por elas e mais: por desvendá-las. De Madonna a Simone, Julia, Cameron, Angelina, Jennifer, um pouco de cada, inimigas entre si, numa cumplicidade que se estranha. O que são mesmo? Perguntam os meninos assustados entre saltos e saias. A resposta se perde entre pares de lábios.”
–Mariana, 27 anos
“Sangue e sexo…”
“Assim de supetão, mulher é sangue e sexo; loucura e doçura; força, alguma fragilidade e umas estrofes daquela música do Gil.”
–Júlia, 32 anos
“Decide, delibera e despacha…”
“Um amigo gay me falou que eu sou daquelas mulheres tipo “viado do avesso”. Fica meio feio de falar, mas é a verdade. Agimos como mulheres que, para a sociedade machista, parecem homens, sem no entanto isso ter reflexo nas nossas escolhas sexuais (talvez tenha e Freud explique que nós também preferimos os homens porque nos são mais iguais ou pela falta do falo).
Na hora de de agir à francesa, com sedução, fazer biquinho e discutir a relação, meu tipo decide, delibera e despacha. Mas não abrimos mão de nada: maternidade, casamento, saltos altos e maquiagem, numa incongruência e numa vivência de múltiplos papéis que provam que temos dois cromossomos X.”
–Soraia, 37 anos
“Eu estou no vaso sanitário e ainda assim você pensou em sexo? É, nós temos esse poder.”
“Muita areia, sereia, perua, deusa…”
“É alguém que pode ser chamada de Maria. E pode usar cor de rosa choque. É também conhecida como: muita areia, sereia, perua, deusa, formosa, bruxa, vida, diva, patroa e mainha. Violão, avião, galinha, vaca, cobra, frágil, fêmea, esposa, loura… e pomba gira. Gira na lua cheia, minguante, nova e crescente.
Mulher é um bicho esquisito, todo mês sangra, como diz a Rita Lee. E todo mês chora sem saber por quê. Mas quando passa: ‘Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, num doce balanço, e o mundo inteiro se enche de graça e fica mais lindo por causa do amor’…”
–Mona, 46 anos
“Saiba pegar…”
“Perceba alguma coisa nela (o cabelo, os olhos, brinco, roupa) e elogie discretamente. Ao abraçar passe a sensação de que é homem, forte, que vai protegê-la. Às vezes ceda, às vezes, mande… rs… Tenha qualidades dignas de admiração. Fato é que precisamos admirar o homem com quem estamos.
E saiba pegar, tocar. Se não souber, faça um curso!”
–Laura, 42 anos
“Mesmo que você siga todas as dicas…”
“Mulher: é surpresa! Ela adora receber surpresas e surpreender. Não queremos pensar em nada, então não deixe a decisão por conta dela. Mas nem pense em não saber o que ela gosta, isto você tem que descobrir, mesmo que seja perguntando. Mulher é cuidado. Ela vai cuidar de você e quer ser cuidada. Ela é forte, mas quer que você abra o vidro de azeitona.
Mulher é respeito, acima de tudo ela quer ser respeitada pelo que ela é. E mesmo que você faça algo que ela diz não gostar, ela pode aceitar se você conduzi-la com carinho para isso. Uma mulher só vai te amar se você amá-la primeiro. E além disso tudo, mulher é confusão. Mesmo que você siga todas as dicas, você ainda vai errar.”
–Sara, 25 anos
Maze, de James Jean, dispensa legendas com comentários bobos.
“Um pacote de incertezas…”
“Uma mulher é um pacote de incertezas, embrulhado em um papel de incoerências, com um laço de beleza, acompanhado de um cartão cheio de charme e liberdade. Meninos, não tentem entender ou explicar, apenas desfrutem o presente.”
–Stela, 30 anos
“Em queda livre…”
“Uma mulher precisa viver intensamente, em queda livre, mas com a certeza de que haverá um belo e atencioso cavalheiro fazendo as vezes de rede de segurança. É alguém que vive ligada no 220, emocional ao extremo, que xinga sem perder a doçura, realiza mil tarefas ao mesmo tempo e nunca deixa passar nada.
O que as mulheres querem? Que os homens obedeçam, se ajoelhem perante elas. Mas só quando a questão for assuntos práticos do dia a dia, pois em quatro paredes a história tem de ser outra.
Bem, acho que mulher é muito mais que isso, mas foi o que consegui agora. Porque, pra falar a verdade, nem nós mesmas sabemos quem somos.”
–Andréia, 24 anos
Gustavo Gitti passa a vida tentando tocar bateria, meditar e dançar salsa, samba e tango. É autor do blog sobre relacionamentos Não Dois, Não Um e coordena a Cabana PdH, onde publica artigos exclusivos e comenta relatos diariamente.
Câncer de Testículo - um relato. (Revista Papo de Homem)
A intenção desse texto não é assustar ninguém, mas apenas compartilhar com os leitores PdH a visão de alguém que recentemente venceu uma batalha e se sente na obrigação de informar sobre o problema. Até porque o câncer de testículo é um dos poucos tipos que partem do princípio de cura e não de sobrevida – com uma média de 95% de chances de cura mesmo com metástase instalada.
É deste problema que o ciclista Lance Armstrong e o jogador brasileiro de basquete Nenê, do Denver Nuggets, sofreram. Agora ambos vão muito bem.
Aviso que não sou médico. Todo o conhecimento exposto aqui veio da vivência do problema. Já que não tenho cacife para esclarecer dúvidas científicas, apenas explico o meu ponto de vista e deixo a parte casca grossa com o Dr. Health para que auxilie quem tiver dúvidas nos comentários.
Descobrindo os nódulos
Em outubro de 2008, quando estava morando na França, notei dois nódulos na extremidade do meu testículo esquerdo, indolores e assintomáticos, descobertos pela velha mania masculina de “coçar o saco”. Levei muita sorte, pois na maioria dos casos o tumor cresce no interior (miolo) do testículo e é mais complicado diagnosticar o problema antecipadamente.
Quando o tumor é interno, sem a possibilidade de senti-lo apalpando, o volume do testículo cresce aos poucos, porém sem dor e sintomas adversos. O silêncio da doença é o maior perigo, pois quando tardiamente descoberto há mais possibilidades de se instalar a metástase, processo que leva o câncer para outras regiões do corpo.
Fiquei mais um mês e pouco mastigando o problema, pois o meu plano de saúde gringo só cobria emergências, achei que era alguma reação adversa da Finasterida (remédio que eu tomava para prevenir a calvície) e enfim parti para o Brasil. Se você usa Finasterida, fique tranquilo: todos os médicos a excluíram como causa do problema.
Elas podem ter câncer de mama e ovário, mas pelo menos não tem um saco pra se preocupar.

Primeira consulta: o histórico de vida
Logo que cheguei ao Brasil, a primeira coisa que eu fiz foi agendar uma consulta com um urologista do interior de São Paulo, região onde morava. Ainda sem saber do que se tratava, estava otimista em relação ao problema, afinal eu nunca tinha tomado nenhum anabolizante ou derivado (os principais causadores do câncer de testículo). Pedi uma sugestão de um urologista para um amigo e fui a caminho da consulta.
Logo que cheguei ao consultório, o médico me pediu um histórico de vida em forma de questionário. Fumante? Só na balada. Casos de câncer na família? Avô no estômago. Bebe? Socialmente. Entre outras perguntas menos relevantes. Arriei as calças, deitei na maca, então o médico apalpou meus dois testículos de forma brusca para sentir a rigidez do nódulo, geralmente nódulos mais moles e macios são fibroses ou bolinhas de gorduras, entre outras coisas.
No meu caso, era um nódulo mais duro, até então sem diagnóstico de maligno ou benigno. Depois de constatar as características superficiais dos tumores, o médico me pediu quatro exames. Três de sangue conhecidos como marcadores e um ultrassom. Os de sangue eram: DHL (desidrogenase láctica DHL, beta HCG e alfafetoproteína) e o ultrassom era da bolsa escrotal.
Exames feitos: todos os resultados normais e o ultrassom também normal. O médico pede então que eu retorne depois de três meses para ver como o tumor/nódulo iria evoluir.
Segunda consulta: o médico indeciso
Depois de três meses de espera, sem sentir absolutamente nada, nenhum sintoma desagradável e agora morando em São Paulo, retorno ao médico que consultei no interior para refazer toda a rotina anterior, exame de apalpar, três de sangue e um ultrassom.
Os resultados dos marcadores de sangue mais uma vez normais dentro dos valores referências, e o exame de ultrassom levemente alterado. A dimensão dos tumores tinha crescido de forma tímida, porém tinha crescido e não regredido. É nessas horas que é essencial a presença de um bom médico.
Esse primeiro urologista do interior (cujo nome omitirei) colocou a decisão em minhas mãos. Alto lá, Doutor, o médico aqui é você! Não entendo praticamente nada sobre o problema e agora tenho que decidir se espero por mais três meses ou se faço uma cirurgia para extrair o testículo esquerdo? Ele me pediu então para fazer mais uma vez os benditos exames citados anteriormente e dessa vez um dos exames de sangue estava um pouco anormal. O restante igual.
Terceira consulta: a resposta de um bom médico
Saída pela direita, hora de procurar um especialista com currículo fodástico. Saúde em primeiro lugar, sempre. Fui para a terceira consulta com o Dr. Marco Arap, médico urologista com especialização em Oncologia, que presta serviços para o Hospital Sírio Libanês. Ele me pediu um breve histórico, assim como o médico anterior, e todos os exames que foram feitos previamente.
Após uma breve análise e uma apalpada nas minhas bolas, a resposta foi curta e grossa: “Você tem o testículo direito em perfeito estado, você poderá ter filhos normalmente só com ele. Se fosse alguém da minha família, eu tiraria esse testículo esquerdo pois, do modo como ele está, tenho minhas dúvidas se trabalha com eficência para o seu organismo. Em relação à estética fique tranquilo, vou colocar uma prótese de silicone no lugar do testículo extraído. Isto se ele for maligno. Se for benigno, vamos retirar os nódulos e recolocá-lo.”
Cirurgia: a retirada do testículo esquerdo
Marquei a operação com o Dr. Marco Arap no dia seguinte à consulta, no Hospital Sírio Libanês. O processo chamado de Orquitomia (retirada do testículo) é uma cirurgia rápida, tanto na na extração como na recuperação. Anestesia geral, extração do testículo esquerdo e biópsia superficial pelo patologista feita no local.
O tumor infelizmente era maligno e já tinha contaminado outras partes localizadas, como o cordão espermático. O câncer inutilizou por completo o meu testículo esquerdo, com necrose (estado de morte de um tecido ou parte dele) em mais de 65% da sua extensão. O testículo esquerdo foi extraído por inteiro – em seu lugar, colocaram uma prótese de silicone.
Recuperei-me completamente. Em uma semana já estava trabalhando.

Essa era a parte saudável não afetada pela necrose, antes da cirurgia.
Quarta consulta: o nome do problema
Essa consulta foi para analisar o curativo, a recuperação da cirurgia, a adaptação da prótese e pegar o resultado detalhado da biópsia. Carcinoma embrionário não-seminomatoso, eis o nome do problema.
Missão cumprida do Dr. Marco Arap. Fui então encaminhado para um oncologista, Dr. Artur Katz, também do Sírio Libanês, para ver como seria o tratamento, ou mesmo se era necessário fazer um.
Quinta consulta: mais exames
Levei uma sacola com todos os exames que eu tinha feito até o momento para o médico oncologista, fui questionado mais uma vez sobre o meu histórico familiar e sobre os meus hábitos de vida e parti para a maca para ser examinado novamente. Apalpou meu pescoço e o meu abdômen. Boas notícias: gânglios ausentes. Quando há gânglios em outras regiões do corpo, é sinal que pode existir metástase.
Então ele me pediu mais uma bateria de exames. Os mesmos anteriores que vocês já conhecem, mais uma tomografia da pélvis, tórax total, abdômen e um espermograma.
Sexta consulta: cirurgia ou quimioterapia?
Graças a Deus, tudo certo: ausência de metástase na tomografia, espermograma fértil, marcadores de sangue todos normais. Porém, quando falamos de câncer, todo o cuidado é pouco. No meu caso, as chances do câncer ter migrado para outra parte do corpo eram de 35% (1 em 3).
O fato da tomografia e dos exames complementares não ter localizado nenhuma célula cancerígena não significava que o problema estava completamente resolvido – era somente um prognóstico ao meu favor. Havia a possibilidade de ter células invisíveis em outras regiões do meu corpo, que poderiam se desenvolver caso nenhum tratamento fosse feito. Simplesmente acompanhar fazendo exames não era a decisão mais prudente, levando em conta que os meus exames anteriores resultaram normais e eu já estava com o problema instalado no corpo.
Então foram propostos dois tratamentos para o meu caso: uma cirurgia para a retirada dos linfonodos (ou gânglios linfáticos) na região do retroperitônio – para onde a célula cancerígena do testículo tem como hábito migrar – ou uma sessão de quimioterapia. O oncologista estava inclinado pela cirurgia e o urologista pela quimioterapia.

Os testículos já não são a coisa mais bonita. Imagine assim então…
Ambas as medidas eram profiláticas, levando-se em conta que o câncer não tinha sido localizado pela tomografia em outra região do meu corpo. Depois de muita conversa com amigos e médicos oncologistas, cheguei à conclusão de que a melhor opção de tratamento era a quimioterapia. Sou jovem (tenho 28 anos) e a cirurgia, além de ser longa, demorada e invasiva, poderia me deixar infértil, pois poderia ter como efeito colateral uma ejaculação retrógrada, que é quando o sêmen em vez de sair pela uretra toma a direção da bexiga.
A quimioterapia também pode deixar infértil, mas é uma chance menor. Para sanar esse problema congelei o meu sêmen para garantir a prole caso eu ficasse infértil.
Opção feita: quimioterapia, uma sessão do protocolo BEP, que consiste em três medicamentos (cisplatina, bleomicina e etoposide) combinados num espaço de uma semana e dois dias.
Quimioterapia: mitos e verdades sobre os efeitos colaterais
Muitas dúvidas passaram pela minha cabeça antes do tratamento. Vou ficar careca? Com cara de morto vivo? Vou perder todas as células boas do meu corpo e ficar imunodeprimido? Vomitar mais que mulher grávida? Ter horríveis dores nas pernas?
Careca: Meus cabelos começaram a cair depois de 15 dias da primeira sessão, ainda que já tivesse raspado a cabeça na máquina dois para não sentir fios grandes caindo. Não fiquei muito careca, mas caiu bastante. A melhor coisa a se fazer é raspar antes.
Náuseas e vômitos: Eu não vomitei nenhum dia sequer e senti poucas náuseas. Não tomei nenhum medicamento complementar em casa para diminuir as sensações. Deu para tirar de letra. Foi importante tomar Omeprazol para o estômago, pois ele fica realmente sensível.
Cara de morto vivo: É natural você ficar com cara de fodido, afinal o tratamento não é delicado. O lado positivo é que todo mundo cuida de você até retomar o semblante de galã.
Imunodeprimido: Jamais fique perto de gente com gripe, jamais encare aglomerações, sossegue o facho em casa. Durante o tratamento é muito importante manter a boa saúde pois qualquer febre ou infecção representa um perigo. Lave bem as mãos, as roupas de cama, as toalhas… Se possível, utilize um banheiro exclusivo.
Dor nas pernas: Senti leves dores nas pernas, mas deu para tirar de letra.
O que eu posso lhes dizer é o clássico “Cada caso é um caso”. Por pressão da minha mãe, fiz a cagada de falar com muitas pessoas que já fizeram quimioterapia e com certeza esse foi o meu pior erro. Os efeitos colaterais agem de forma muito específica em cada pessoa. O problema de perguntar muito para pessoas que já passaram por isso é que você acha que vai sentir cada reação de todas as pessoas – uma espécie de placebo invertido. Então, caso alguém conviva com esse problema na família, sugiro que não pergunte nada a ninguém. Espere você mesmo sentir algo e resolva problema a problema de modo pontual, sem sofrer por antecipação.
A dica crucial é beber bastante líquido. Você vai eliminar a medicação através da urina e gradativamente se sentir melhor. Não coma alimentos ácidos, tente dormir bem, ignore lendas urbanas. Já que o estômago fica bastante sensível, coma o que você tiver vontade – é a melhor maneira de não vomitar. Escove bem os dentes pois toda a mucosa do seu corpo vai ficar sensível. Compre um hidratante para a sua pele do corpo, que vai descamar e ressecar, e um hidratante labial também.
Dias de tratamento

Imagine uma ressaca constante, mas sem a diversão inicial.
Tive de voltar para o interior de São Paulo, onde reside minha família, tirei licença do trabalho por tempo indeterminado e comecei o tratamento. Iniciou numa segunda-feira com fim na sexta-feira. Depois seriam mais duas terças-feiras.
Esse protocolo BEP é bem pesado na primeira semana. Foram cinco dias das 8h às 16h com medicação ininterrupta na veia. Sim, oito horas direto! Você não sente nada enquanto o remédio entra no seu corpo. No meu caso, a sensação de mal estar começou a partir do segundo dia e só melhorou consideravelmente no domingo.
É uma sensação de ressaca foda, de vodka vagabunda com cigarro vermelho Hollywood. Chegava à minha casa depois da sessão e deitava no sofá, acabado. Porém foi só uma semana. Nas duas sessões seguintes, de apenas um dia, foi mamão com açúcar. Sem efeitos colaterais pesados.
Agora terei de fazer o acompanhamento durante 5 anos, com exames espaçados. Estou tranquilo e tenho fé que o problema não vai voltar. Esse tem de ser o espírito, considerando que nosso estado emocional influi na qualidade de nossa saúde. Mudei a minha alimentação, cortei o cigarro e tento encarar a vida de maneira mais leve.
Penso que tudo que é grave, e chega de repente em nossa vida, também tem como objetivo ensinar algo e nos fazer refletir sobre nossos valores. Não é papo de Dalai Lama, mas quando falta saúde, tudo está em falta. Por isso vamos parar de fumar, parar de encher a cara todos os dias, e sem essa que Picasso morreu com mais de 80 anos e fumava e bebia igual um pinguço. Em um mundo cheio de competitividade, pressão por resultados e violência, é melhor eliminar o que está ao nosso alcance e nos faz mal. Já que do resto não temos o mínimo controle.
Espero ter contribuído para algum esclarecimento sobre esse problema que dificilmente ouvimos falar por aí.
E não precisa cutucar o saco, não. Suas bolas devem estar saudáveis, amigão!
Entre pai e filha - Contardo Calligari
ESTREOU NA semana passada "À Deriva", de Heitor Dhalia.
O filme me encantou pela coesão entre o drama de Filipa, que tenta sair da infância e se tornar mulher, e a alternância entre planos fechadíssimos (como se a câmara procurasse nos dar acesso ao interior dos protagonistas) e planos abertíssimos, mais raros (as praias de onde saem os barcos que podem nos levar para o mar e a vida). E há a performance contida e justa dos atores: Vincent Cassel (o pai), Débora Bloch (a mãe), Camilla Belle (a amante do pai) e a inesquecível Laura Neiva (Filipa, a filha).
Mas o que mais importa é que Dhalia nos oferece um filme que conta de maneira perfeita (peso minhas palavras) o processo delicado e comovente pelo qual uma menina se torna mulher. Não digo "um" processo mais ou menos desastrado e quem sabe patogênico, mas um caminho "certo": o que é preciso para que uma menina, como Filipa, aprenda a amar e a ser amada fora de casa.
Se Freud assistisse a "À Deriva", ele dedicaria ao filme um texto magistral, não sem reafirmar, mais uma vez, que encontramos mais saber na ficção da arte do que nos esforços, sempre grosseiros, de expor nosso entendimento. Sem o gênio de Freud e com a mesma convicção, aqui vou eu.
Para que uma menina se torne mulher -por exemplo, ao longo de um verão- pode ser útil que ela descubra que o pai pode, sim, desejar outra mulher que não seja a mãe e não seja ela, a menina. É também preciso que, não por isso, o amor da menina pelo pai se transforme de vez em ódio ou no ressentimento do ciúme. Ajuda, para evitar que a menina se encalhe numa birra dolorosa, a descoberta de que a mãe também é capaz de desejar outro homem que não o pai.
Nessa altura, a menina ainda poderia decidir que o desejo é uma "porcalhada" dos adultos, e talvez fosse melhor ficar no limbo da infância -quem sabe renunciando definitivamente a todo prazer sexual ou, pior, a toda vida amorosa. Ou, então, ela poderia se tornar para sempre uma espécie de paladina do pai, à espera do dia em que, ele envelhecendo, ela poderá ser sua enfermeira e companheira até a morte.
Há uma condição para que esses caminhos de renúncia não sejam uma escolha forçada: é necessário que o pai se dê conta um dia de que sua filha não é mais uma menina, e que a filha seja e se sinta reconhecida como mulher pelo olhar paterno.
Na apresentação de "À Deriva" no Festival de Paulínia, a plateia (ou parte dela) achou que o tema do filme fosse o desejo incestuoso. Entendo, mas nada a ver. O caminho pelo qual uma menina se torna adulta é quase uma alquimia: existe um fio tênue, mas decisivo, que separa um desejo paterno incestuoso de um olhar do pai que confira à menina a certeza de que ela é desejável como mulher.
O desastre espreita a menina de ambos os lados, tanto se o incesto se realizar quanto se faltar um olhar que confirme que ela está se tornando mulher.
Não são raros os pais que caem das nuvens (justificadamente) quando, já adultas, as filhas os acusam de ter tido desejos ou mesmo gestos impróprios com elas quando eram crianças e adolescentes. Na grande maioria dos casos, trata-se de fantasias necessárias, maneiras de a mulher rememorar que, quando era menina, o pai enxergou nela a mulher que ela viria a ser.
Essa lembrança é tão necessária na vida de uma mulher que, para mantê-la viva, ela pode colori-la e deformá-la - atribuindo-lhe, aliás, a aparência de uma realização de seus próprios antigos desejos incestuosos pelo pai.
Mais grave é o caso em que essa lembrança não se constitui ou se apaga. Nessa eventualidade, a menina pode viver toda sua vida de mulher convencida de que nunca foi e nunca será desejada.
Um detalhe, para evitar mal-entendidos: na vida de uma menina, qualquer homem que esteja na hora e no lugar certos (avô, padrasto, professor e por aí vai) pode exercer a delicada função do pai.
Qual é o desfecho dessa história que se repete a cada dia? O fim do filme comoverá qualquer pai de menina, e seria sacanagem com o espectador contar as últimas cenas. Digamos assim: quando a história acaba bem, o que sobra é a sensação de um amparo paterno, de um lugar de ternura e de amor para o qual é possível voltar para se lavar das eventuais asperezas e sujeiras do desejo, mas um lugar que não infantiliza porque o pai continua enxergando e admirando a mulher que a menina se tornou.
ccalligari@uol.com.br
Abaixo a Ditadura do Corpo Perfeito

Maranhão 66
Frases
Charles Darwin
Tutty Vasquez
Era só o que faltava ao Ano da França no Brasil: Sarkozy não vai trazer Carla Bruni para a Parada de 7 de Setembro no Brasil. E ainda quer que a gente compre os submarinos dele!
SEM ASSUNTO
Aproveitando o pouso de sua turnê mundial em Israel, Madonna levou
Jesus ao Muro das Lamentações. Como se esse rapaz tivesse algo a lamentar na vida que está levando desde que conheceu a pop star.
Que vergonha, né não?!
Da família das antas Luciana Gimenez vai acabar cobrando royalties: ao apresentar uma receita de bolo, Ana Maria Braga destacou a castanha do Pará como ingrediente da fauna brasileira. Pode?
Saída republicana
Ela anda um pouco esquecida com essa história de pré-sal, mas tem gente na oposição tocando o projeto de transformar Lina Vieira na Sarah Palin brasileira. Falta ainda convencer José Serra a
aceitá-la para vice!
W.O. na web
José Saramago despediu-se de seu blog um dia depois de Lula inaugurar o dele. Na interpretação do Planalto, o escritor amarelou.
A propósito...
Eduardo Suplicy - quem diria! - tem achado o blog do Lula lento. É a desmoralização da banda larga do governo!
PROMESSA É DÍVIDA
Matias Defederico, que saiu de Buenos Aires com a fama de "o novo Messi", chegou a São Paulo dizendo que quer ser "o novo Tevez" no Corinthians! Contanto que não vire "o novo Souza", pra Fiel
tá ótimo!
A INVEJA É UMA...
Quando, afinal, Lula vai escrever uma cartinha pro Eduardo Suplicy? O ciúme do Mercadante vai acabar levando o senador a cometer uma loucura no Congresso!
A VEZ DOS ÚLTIMOS
Vencedor do reality show A Fazenda, Dado Dolabella não ganhava uma na vida há mais tempo que Rubinho Barrichello. Isso quer dizer o seguinte: o retrospecto é altamente favorável ao lançamento da candidatura Soninha Francine ao governo de SP.
A Conspiração Maglev-Cobra
Olá crianças,
Acabei de retornar do Rio de janeiro depois de uma semana de viagens (para Cascavel, Foz do Iguaçu e até mesmo para “el Paraguai”) entre palestras durante a semana (dia 20 de Agosto é o “Dia do Maçom” então rolam palestras em lojas a semana toda) e ai já viu, ne?
Esta semana tentarei tirar o atraso. O primeiro post não será meu, mas do amigo Phillipe Gump, a respeito de uma conspiração que acontece logo aqui no Brasil, debaixo dos narizes de todo mundo e que não têm sido veiculada em nenhuma mídia. Fica aqui meu apoio ao Mundo Gump e ao projeto elaborado por brasileiros.

Texto do Mundo Gump:
“Caros amigos, eu tenho duas coisas muito importantes para dizer a vocês. A primeira é muito boa e trata-se de uma notícia que muita gente está esperando faz tempo. Nós queremos entrar na alta velocidade!
Sim, estou falando novamente do Maglev Cobra.
Até agora estávamos trabalhando duro na elaboração do trem de operação urbana – onde estão os maiores problemas de transporte atualmente. Já recebemos aportes financeiros importantes que estão viabilizando a construção do primeiro trem operacional, que ligará os novos centros de tecnologia na cidade universitária (UFRJ), na Ilha do Fundão.
Mas a coisa felizmente está melhorando cada vez mais. Novos contatos com a Transrapid alemã já permitem a construção – com transferência de tecnologia! – de um Maglev Cobra de alta velocidade. Sim, meus amigos, estamos falando de um trem de levitação, totalmente nacional, viajando acima dos 200km/h. E o que é melhor, CUSTANDO A METADE DO PREÇO cobrado pelos TAVs, que pleiteiam este polpudo contrato, prometendo mentirosamente fazer o trem a tempo da copa de 2014.
A segunda coisa que eu quero falar com vocês é muito séria e preocupante. Infelizmente, a grande mídia não abriu a boca (estranho, não?) ainda para falar isso.
Está em curso um perverso e vergonhoso crime contra a ordem econômica. Eu não quero assistir calado uma enorme sacanagem que os espertos de sempre, esses carrapatos que mamam nosso dinheiro nas tetas polpudas do poder vem tramando. Então resolvi meter logo o dedo na ferida e que se dane!
Eu não vou fazer isso porque sou maluco, kamikase ou coisa do tipo. Eu faço isso porque sei que este blog recebe visitas de milhares de babacas inúteis e criaturas acéfalas que não fazem a menor diferença, mas ele igualmente recebe a visita de milhares de pessoas inteligentes e íntegras que não gostam de ver sacanagens grossas acontecendo. São pessoas que reconhecem e admiram o trabalho que cientistas como o Dr. Eduardo David, meu pai e o professor Richard, além de muitos outros, que dedicam suas vidas para trazer à população melhorias e qualidade de vida, buscando mudar da melhor forma a idéia errônea de nossa vocação puramente agrária, de colônia.
Todos nós sabemos que o Brasil tomou a decisão da construção de uma linha ferroviária de alta velocidade, ligando as cidades do Rio e São Paulo.
Sabemos também que grandes empresas e consórcios internacionais, de olho nesta gorda fatia, se locupletaram em arranjar e proferir aos quatro ventos que detém tecnologias de ponta, que podem vender para o Brasil.
Curiosamente, os italianos dizem que o melhor trem é o italiano. Os alemãs dizem que o melhor trem é o alemão, os Japoneses dizem que o melhor e o deles, os franceses dizem que o melhor é o francês e assim vai. (estranho seria se não fosse assim.)
Mas fica a questão: Enfim, que tecnologia é a melhor para o Brasil?
Em busca de respostas, e visando estabelecer um embasamento técnico para a ligação do Rio a São Paulo por alta velocidade, o Brasil gastou DO SEU DINHEIRO DOIS MILHÕES DE DÓLARES, contratando uma consultoria inglesa que deveria dizer enfim a melhor tecnologia para ligar Rio-São Paulo, orientando o processo de licitação, e estabelecer o traçado – veja, algo FUNDAMENTAL, onde não se poderia admitir erros.
Detalhe: coisa que meu pai, Phd em transportes com mais de 30 anos de experiência ferroviária, fez DE GRAÇA e DEU PRO GOVERNO! O governo se lixou e ele publicou em um livro.
Qual não foi nossa surpresa ao descobrirmos erros crassos nos relatórios da consultoria inglesa paga a peso de ouro, além de verdadeiras barbaridades técnicas que só podemos esperar que sejam erros de digitação – o que já, por si só, deveria ser considerado um absurdo em algo que custa dois milhões de dólares de dinheiro público.
Muitos dos furos você mesmo pode conferir em http://www.tavbrasil.gov.br/
O pior furo é o seguinte: A Consultora Halcrow-Sinergia contratada deveria produzir cinco volumes de relatórios. No site constam apenas 4, faltando o mais importante o Volume 3, que trata da modelagem econômica do projeto.
Sim, meu amigo, são dois milhões de dólares, para sonegação de informações FUNDAMENTAIS para o processo de decisão de algo tão importante para o país! Curiosamente foi a modelagem econômica, algo básico para um assunto de tamanha envergadura que não é disponibilizado. Interesse escusos? Erros do sistema? Tire suas próprias conclusões.
A consultoria internacional sugeriu um traçado absurdo, caríssimo, com túneis abaixo do nível do mar, cortando áreas de preservação pelo patrimônio Histórico e Cultural, atravessando áreas onde nem o Governo Federal tem ingerência, como na Cidade Universitária. Sem nem perguntar se podia. São bilhões de reais em desapropriações inúteis que vão nos garfar se isso for levado à cabo.
Visando os aspectos constitucionais e pretensamente democráticos, a ANTT colocou no ar o site para que os interessados possam encaminhar contribuições e sugestões das 9 horas do dia 24 de julho até as 18 horas do dia 17 de agosto de 2009, devidamente identificadas e no idioma português, de forma concisa e objetiva, por meio eletrônico, pessoalmente ou por via postal, protocoladas na ANTT, nos endereços indicados no parágrafo anterior, até o prazo estabelecido.
Mas veja que curioso, a ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) quer encerrar amanhã o prazo para o cidadão reclamar ou sugerir alguma coisa, mas não se deu ao trabalho de disponibilizar as informações básicas do projeto que nós, brasileiros pagamos com o suor dos nossos impostos, que não são poucos.
Portanto, não faz sentido a ANTT encerrar o prazo de envio de sugestões em 17/08/09 da Audiência Pública, se não disponibilizou para a população todas as informações. Os 30 dias corridos deveriam ser contados a partir da publicação no site do Volume 3 que está faltando, já que trata do aspecto mais importante do projeto, que envolve $$$. (nossa!)
Todavia, é dever de cada brasileiro que tome conhecimento não deve se omitir e manifestar sua opinião claramente pela Internet. A ANTT identifica, encaminha à área técnica, registra e publica em um Relatório Final, cada sugestão recebida pelo site, no endereço: http://www.antt.gov.br/acpublicas/formulario.asp?evento=cp002/2009
No caro estudo da consultoria inglesa encomendado pelo governo, a tecnologia Maglev, que opera com sucesso na Alemanha e China e em breve nos EUA, foi preterido por ser uma tecnologia de ponta. – Sim meu amigo. É verdade. Pode acreditar.
2 – Na página 10 do Volume 2 – Estudo do Traçado, a consultora tece elogios ao sistema Maglev “que pode seguir um traçado muito mais íngreme (100%) e perfazer curvas fechadas…” Lógico, seria a tecnologia mais adequada para um trecho montanhoso que se desenvolve ao longo do Vale do Rio Paraíba do Sul e tem que vencer a Serra das Araras. No entanto os consultores, apesar de todas as vantagens concluem: “Por esta razão o Maglev não foi ativamente considerado no desenvolvimento do TAV”
VERGONHA!!!!
Eles curiosamente não mencionaram o pequeno detalhe, de que o Maglev Cobra de alta velocidade custa A METADE DO PREÇO.
Além disso, existem outros furos:
a) A rampa de 100%, apesar de possível, porque o trem de levitação utiliza motor linear para tração, é um exagero, pois significa 45 graus de inclinação. (um trem normal sobe rampa de 0,5%) A Transrapid alemã, fabricante do trem de levitação que opera com sucesso na China desde janeiro de 2003 recomenda rampa de 10%, para o conforto dos passageiros. Só pode ter sido um erro de redação, digitação e/ou um completo desconhecimento da tecnologia, e é condenável isso ter escapado da revisão antes de ser divulgado oficialmente. Até porque o documento norteia justamente qual a melhor tecnologia. Seria esse um erro proposital?
b) Ignorar uma tecnologia mais moderna, capaz de reduzir o custo de implantação pela metade (de US$ 18 bilhões para US$ 9 bilhões, na ligação Rio-São Paulo-Campinas), afronta a Lei 8884/94, que trata dos crimes contra a ordem econômica. Se o Edital do TAV a ser lançado pela ANTT não permitir trens de levitação magnética, restringindo a proposta apenas aos roda-trilho, pode e deve ser impugnado na justiça pois será considerado um “cerceamento à entrada ou existência de concorrentes, no mercado local, regional ou nacional”.
Nós podemos, nós sabemos como fazer. Nosso preço será menor e nós temos o melhor (infinitamente melhor) traçado, que reduz absurdamente o custo para o Brasil – logo para você, pra mim e pra todo mundo.Sem falar que nosso traçado permite concluir a obra e entrar em operação primeiro.
Temos que pensar que cada centavo desperdiçado aqui vai faltar no prato de uma criança carente, pode significar um remédio a mais num hospital, pode significar um caderno, uma esperança. Nós não podemos deixar essa sacanagem acontecer. A tecnologia de levitação não é ficção científica. Ela existe, opera na China (país que tem uma grande visão estratégica e sabe que isso revolucionará o futuro) e é viável para nós.
É a hora de escolher entre andar 50 anos para frente ou para trás (porque os países acima citados, não querem vender suas tecnologias de ponta e sim modelos de transporte já obsoletos por lá pra nós, como se o brasileiro não pudesse ter acesso ao que há de melhor)
Ser patriota não é saber o hino nacional de cor, meu amigo. Não é só pendurar a bandeira nacional em época de copa do mundo. Ser patriota é tomar uma atitude. Nem que seja gritar para o vazio. E digo mais. Não se trata de ser patriota ou não, mas de não se deixar ser tratado como gado.
VOCÊ vai financiar este troço. Pense nisso. Vamos reagir. Juntos, nós temos forças para embolar a maracutaia que vem se avolumando nos bastidores deste trem Rio-SP faz tempo. Se é pra licitar, todas as tecnologias devem ser levadas em conta. Principalmente a NACIONAL, desenvolvida com dinheiro público e reconhecida mundialmente!
Peço encarecidamente que me ajudem nisso. Estou trabalhando duro com a equipe do Maglev para fazer isso ser realidade. Estamos a poucos passos de uma grande mudança. É um absurdo ver nosso trabalho sério e reconhecido até pelo príncipe de Dubai em pessoa ser desconsiderado na cara de pau em uma consultoria caríssima e de qualidade risível.
Recorte este post, mande para seus amigos. Use o twitter, orkut, forum, sei lá o que.
Não há tempo. Temos que nos movimentar agora. A parada encerra amanhã!
Se tiver jornalistas conhecidos, se você trabalhar em um veículo, seja de que tamanho for, aqui está um belo furo para aproveitar. Vamos tomar uma atitude. Nem que seja reclamar. Cada protesto será obrigatoriamente anexado ao relatório e servirá de base para que ações judiciais impeçam esta sacanagem com o dinheiro que não é deles.
Me ajude. Ajude o Brasil. Por favor!
Clique aqui e reclame: http://www.antt.gov.br/acpublicas/formulario.asp?evento=cp002/2009
Adendo: Aqui está um PDF com a apresentação da tecnologia de levitação para a ligação Rio-São Paulo exibida no Coninfra 2009
Petróleo na urna
Governo tenta atropelar Congresso com proposta inconvincente de marco regulatório, repleta de armadilhas estatistas
CONSUMOU-SE , na explicitação dos projetos do Planalto para o pré-sal, a revanche contra a abertura do mercado e contra a quebra do monopólio da Petrobras, efetivadas na década passada. A antecipação do calendário eleitoral, motivada pela iniciativa do presidente Lula de viabilizar a candidatura Dilma Rousseff, atropelou o interesse público.
Propor a tramitação em 90 dias, no regime de urgência constitucional, de um programa que subverte todo o modelo de exploração, tributação, concorrência e partilha de recursos fiscais em curso -e que, além disso, exige emissão de mais R$ 100 bilhões em dívida pública, o equivalente a dois meses de arrecadação federal- é um acinte.
O governo federal e a Petrobras, que passaram 14 meses confabulando para chegar à sua proposta, não são os únicos interessados na discussão. A mudança afeta toda a sociedade, detentora das riquezas do subsolo. A tramitação dos quatro projetos de lei pelo Congresso é a oportunidade de dar a Estados, municípios, trabalhadores, consumidores, empresários, ambientalistas e técnicos o tempo que for necessário para que se façam ouvir.
A precipitação de Lula chega a ser ridícula diante do fato de que não se sabe, com o mínimo de segurança, qual a dimensão da renda petrolífera que se quer, desde já, dividir. A que ponto a província do pré-sal vai elevar as reservas recuperáveis de petróleo do Brasil, hoje em 14 bilhões de barris? A que custo de extração?
Na falta de mapeamento da região de 149 mil km2 (equivalente à área do Ceará), campeia uma incrível dispersão de palpites. De 30 bilhões de barris a 300 bilhões de barris, vai uma diferença oceânica. No primeiro caso, o Brasil apenas administraria pelas próximas décadas a autossuficiência energética já obtida; no outro, seria alçado à condição de potência exportadora.
Em vez de mapear as riquezas antes -até para convencer o público de que seria preciso mudar o modelo-, o governo passou diretamente à fase seguinte. A urgência eleitoral prevaleceu e deu passagem a propostas estatistas de fazer inveja aos "desenvolvimentistas" da ditadura militar.
Na partilha de produção, o governo divide o lucro da empreitada, na forma de óleo, com o consórcio empresarial contratado para explorar os campos. Mas, para chegar ao lucro, é preciso definir antes os custos de cada empreendimento específico, o que não é trivial numa atividade complexa e intensiva em capital como a petrolífera.
O governo cria, então, a Petro-Sal para controlar os custos de cada campo, entre outras funções -como cuidar dos trâmites de comercialização do óleo estatal- que deveriam ser eminentemente técnicas. Capaz de influir em decisões empresariais básicas, caso da contratação de fornecedores, e sujeita a controle político do governo de turno e de sua sempre notória "base aliada", a Petro-Sal seria uma porta escancarada para corrupção, negociatas e privilégios.
Outro ponto vulnerável à politização e à má alocação de recursos, bem como à acomodação típica dos monopólios, é a regra que torna a Petrobras parceira obrigatória da União em todos os campos do pré-sal, com participação mínima de 30%. Dispensada da concorrência, terá no entanto de participar mesmo das empreitadas as quais o cálculo frio recomendaria recusar.
O poder discricionário do Executivo amplia-se também por outros meios. Mesmo fora do pré-sal, onde continuam valendo as regras da concessão -empresas disputam livremente o direito de exploração num processo licitatório, e vence a que oferecer o maior lance-, o governo poderá intervir. Basta que considere, num simples decreto, a região como de "interesse para o desenvolvimento nacional" e ela será retirada da competição.
Além disso, o privilégio já oferecido à Petrobras poderá ser ampliado. A fim de preservar o "interesse nacional", sem definir bem o que isso significa, o governo poderá contratar apenas a Petrobras, sem licitação, para operar determinados campos.
Até aqui o governo Lula não demonstrou que a sua proposta será capaz de assegurar os investimentos necessários para a exploração das novas jazidas petrolíferas. Tomando-se os "chutes" mais conservadores acerca do potencial do pré-sal, não é difícil que essa cifra ultrapasse meio trilhão de dólares -ou 30% do PIB-, diluído ao longo dos anos. O modelo de concessões oferece uma resposta satisfatória a esse problema, pois amplia as fontes de investimento, por meio de uma competição de escala global, e propicia antecipação de receitas ao governo.
A experiência mundial, decerto, mostra que modelos não são decisivos para o sucesso de um país na exploração do petróleo; por vários caminhos e ajustes se chega a um bom arranjo. O fundamental é o governo ampliar, por meio de tributação ou dispositivos análogos, a sua participação na renda gerada pela atividade -e ser proibido, por lei, de torrar os recursos em despesas de custeio. Dadas a rarefação de parâmetros técnicos e a falta de definições que prevalecem na proposta do Planalto sobre o pré-sal, nem isso está garantido.
Por ora, o "passaporte para o futuro" anunciado pelo presidente Lula pouco se distingue de um panfleto eleitoral que já chega embolorado -tal o grau de dirigismo, privilégios e distorções nele estampados.
Antes de pensar em se matar, leia estes depoimentos. Com certeza tem gente pior do que vc...
“Hoje eu estava transando com a minha namorada, numa posição peculiar. Ela estava bebada e do nada me diz: ‘Eu tinha um ex namorado que sempre me comia nessa posição. Ele gozava tanto na minha barriga que as vezes voava até a minha cara.’ VDM”
“Hoje eu conheci uma mina e comecei a ficar com ela. No meio de uma transa ela soltou um peido que chegou a escorrer caldo pelas minhas bolas e fedeu a casa toda! e ela ainda solta: "é curto mas me faz até peidar". Como não bastasse quase cagar, ela fez pouco do meu instrumento. VDM”
Leia mais em VDM.
Notícias Bizarras
Especialistas africanos recomendam sacrifício
Associated Press, BOGOTÁ
Mais de 15 anos após sua morte, o traficante Pablo Escobar voltou a dar dor de cabeça para as autoridades colombianas. Desta vez, porém, o problema não é relacionado ao tráfico de drogas, mas aos mais de 20 hipopótamos que pertenceram a Escobar, morto em 1993. Três deles já fugiram da Fazenda Nápoles, antiga propriedade do traficante na região do Médio Magdalena, noroeste do país, e o latifúndio está ficando pequeno para acolher o restante da manada.
Tudo começou na década de 80, quando Escobar reuniu em sua fazenda numerosas espécies de animais exóticos trazidos para a Colômbia de maneira clandestina. Entre eles, um casal de hipopótamos, que desde então passou a se reproduzir.
Sem saber o que fazer com os animais, o Ministério do Meio Ambiente da Colômbia convidou dois especialistas sul-africanos em vida selvagem para analisar a situação na Fazenda Nápoles. Após uma semana, os especialistas entregaram ontem uma carta ao governo, na qual recomendam "reduzir a possibilidade de reprodução ou anulá-la, seja com castração ou sacrifício".
Outras possibilidades incluem a reclusão dos hipopótamos a um espaço de 70 hectares, o equivalente a cerca de 70 campos de futebol, ou até mesmo o sacrifício dos animais. A justificativa para matar os hipopótamos seria o alto custo para capturá-los - de acordo com os especialistas, para enjaular cada um deles,cerca de US$ 40 mil teriam de ser desembolsados.
Com o aval do governo, soldados do Exército mataram em junho Pepe, um dos hipopótamos que fugiram das ruínas do zoológico de Escobar, em 2006. Sua companheira, conhecida como Matilde, e um filhote ainda estão soltos. Os animais são perigosos, pois podem transmitir doenças e atacam animais domésticos.
Dentro e fora da propriedade, há pelo menos 29 hipopótamos. "Vimos 28 dentro de Nápoles e um fora da fazenda", afirmou o zoólogo Michael Knight, da Unidade de Parques Sul-africanos. "É difícil fazer uma estimativa precisa, porque muitos dos animais podem estar debaixo da água."
A vice-ministra do Meio Ambiente, Claudia Mora, explicou que as recomendações dos especialistas ainda são "preliminares". "As considerações, no entanto, ratificam o perigo representado pelos animais e a necessidade de tomar ações imediatas", disse Claudia.
Uma livraria por ano, um livro por mês, um trecho por dia
25.8.2009
20h05m
artigo
Celebrei o Dia do Leitor, comemorado ontem em Buenos Aires, enfurnada na segunda livraria mais linda do mundo: a Ateneo Grand Splendid. O espaço, um teatro construído em 1919, só perde em “belezura” para uma antiga igreja de 800 anos, na Holanda. A eleição foi feita pelo jornal inglês The Guardian, no ano passado. Saí da Ateneo com um livro na mão, claro. Com El Libro de los Libros, o primeiro guia de livrarias da capital argentina.
A publicação traz a história do comércio de livros em Buenos Aires, oito sugestões de passeios por bairros e suas livrarias, e ainda cada uma delas separada de acordo com a área de especialização. São mais de 350 livrarias listadas! Quase uma por dia. No primeiro texto do livro, outros números não menos impressionantes: com três milhões de habitantes, há mais locais dedicados ao comércio de livros em Buenos Aires do que no Brasil; em alguns bairros há mais livrarias que em Santiago do Chile e, apenas na avenida Corrientes, maior número que em todo o Peru.
O guia apresenta livrarias famosas, como a Ávila, a primeira da cidade, construída em 1785 e que, por sua história, está à altura da Shakespeare & Company, de Paris, mas também jóias que precisam ainda ser descobertas. Entre elas a Goût Elite, a única dedicada somente à gastronomia, e a Wussmann, que trabalha apenas com livros de arte e é um desbunde. Elenca ainda, com destaque, a minha preferida, a Fedro.
Assim como algumas pessoas têm o “seu” bar, impossível não ter uma livraria para chamar de sua se você mora em Buenos Aires. Logo que cheguei aqui me apaixonei pela Boutique Del Libro, em Palermo. Mas em seguida fui fisgada pela delicadeza e conhecimento do pessoal da Fedro, em San Telmo. Além disso, eles são super comprometidos com o bairro, o que faz toda a diferença. Não sei se também contou o fato de que os livros do Caio Fernando de Abreu e da Clarice Lispector estão sempre em lugar de destaque. Ou talvez seja o gato que fica passeando nas estantes, ou então os donos, que recebem a gente sempre com um baita sorriso. Não sei. Mas é a “minha” livraria.

A paixão dos portenhos pelos livros vem causando – pasme – um problema para os livreiros. Eles não sabem como expor o grande volume de obras que chegam a cada mês. O tema foi matéria do jornal La Nación recentemente. Na Argentina, são publicados cerca de 20 mil títulos por ano, uns 1.650 por mês. Cifra elevada se levarmos em conta que um bom leitor aqui compra apenas um livro ou dois a cada trinta dias. Mas veja bem: um leitor aqui compra um ou dois livros por mês! Não sei qual é a venda mensal per capita de livros no Brasil, mas creio que somente por esta média os leitores argentinos merecem mesmo um dia especial.
O Dia do Leitor é celebrado desde o ano passado, e apenas em Buenos Aires. Não por coincidência, é aniversário de nascimento de um dos grandes escritores hispânicos do século XX, Jorge Luis Borges. Será uma semana de homenagens e leituras de textos em vários lugares porque, como se não bastasse, amanhã também é aniversário de Julio Cortazar. Então, se der, nos próximos dias em algum momento desligue o computador, abra um livro, leia um trecho de uma obra que você aprecia. De preferência em voz alta, e para quem você mais gosta.
Gisele Teixeira é jornalista. Trabalhou em Porto Alegre, Recife e Brasília. Recentemente, mudou-se de mala, cuia e coração para Buenos Aires, de onde mantém o blog Aquí me quedo (giseleteixeira.wordpress.com), com impressões e descobrimentos sobre a capital portenha
Notícias Bizarras
CHICO SIQUEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO
O padre Donizete Bianchi, de São José do Rio Preto, foi detido na noite de ontem, acusado de atropelar dois motociclistas e fugir sem prestar socorro. Segundo testemunhas, o padre desrespeitou a preferencial na Avenida Potirendaba e atropelou André Luiz de Jesus e Devair Ribeiro, que voltavam do trabalho. Ribeiro foi internado em estado grave no Hospital de Base com fraturas. Jesus não sofreu ferimentos.
A polícia apreendeu seis latas de cerveja no Golf do padre, que se recusou a fazer teste de dosagem alcoólica. "Todo mundo viu que ele estava bêbado, não conseguia nem descer do carro", disse Jesus. Segundo o delegado João Lafayette Fernandes, do 5º DP, o padre, que estava acompanhado por dois jovens, disse que não estava dirigindo o veículo e que as motos é que tinham "atravessado o sinal amarelo", embora não haja semáforo no local. A advogada do padre, Carmem Cury, não quis comentar o caso.
Não é a primeira vez que Bianchi se envolve em confusão de trânsito. Em dezembro de 2006, ele entrou na contramão e foi parado por uma viatura. Ao discutir com os PMs, dançou uma música do grupo É o Tchan e fez gestos obscenos para os policiais.
PT Histórico...
Vejamos o trecho a seguir :
"[...] não nos impede de apontar as limitações que o MDB partido de exclusiva atuação parlamentar - impõe às lutas populares por melhores condições de vida e por um regime democrático de verdadeira participação popular. O MDB, por sua origem, por sua ineficácia histórica, pelo caráter de sua direção, por seu programa pró-capitalista, mas, sobretudo, por sua composição social essencialmente contraditória, em que se congregam industriais e operários, fazendeiros e peões, comerciantes e comerciários, enfim, classes sociais cujos interesses são incompatíveis e nas quais, logicamente, prevalecem em toda a linha os interesses dos patrões, jamais poderá ser reformado. A proposta que levantam algumas lideranças populares de "tomar de assalto" o MDB é muito mais que insensata: é fruto de uma velha e trágica ilusão quanto ao caráter democrático de setores de nossas classes dominantes."
Eis a "Carta de Princípios" assinada pelos fundadores do PT, entre eles Luiz Inácio da Silva, o Lula, em 1º/5/1979. Depois de trinta anos, o que será que pensa o PT do sucessor do MDB ? Notem o "jamais poderá ser reformado" do trecho da referida carta. É auto-explicativo.
A vitória dos pelegos
22.8.2009
18h00m
O futuro do PT
O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base.
Os orgulhosos padrinhos foram, primeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que viu dar certo seu projeto de dividir a oposição brasileira.
Da árvore frondosa do MDB nasceram o PMDB, o PDT, o PTB e o PT. Foi um dos únicos projetos bem-sucedidos do desastrado estrategista que foi o general Golbery.
Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento de um partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o proletariado.
O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.
O PT lançava e elegia candidatos, mas não “dançava conforme a música”. Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.
O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o mundo adulto.
Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros.
Tudo muito chique, conforme o figurino.
E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.
A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plínio de Arruda Sampaio Júnior.
Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloísa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.
Os militantes ligados à Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida Frei Betto.
E agora, bem mais recentemente, o senador Flavio Arns, de fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.
Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido.
Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT?
Os sindicalistas.
Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.
Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.
Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado.
Cavando benefícios para os seus.
Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municípios. Além do governo federal, naturalmente.
É o triunfo da pelegada.
Richarlyson
Richarlyson: Mais que um homem, um exemplo

Esta é a coluna de ontem, que não pude publicar por motivos a vocês já contados.
Ontem eu estava reclamando com meu pai da escola, dizendo que ela enchia o meu saco, que me sentia deprimindo com a "má fase" dos últimos tempos. Na lata, antes de desligar o telefone, ele me respondeu: "Tá triste? Pensa no Richarlyson." Em um ato incomum nos últimos tempos, obedeci-o. E senti dificuldades em dormir. Porque fiquei pensando. E por bastante tempo. Confesso que caiu uma lágrima quando eu me lembrei do jogo entre São Paulo x Goiás, no ano passado, quando na comemoração pelo título, ao invés de gritarem o nome de Ricky (como gritaram o de seus 23 companheiros), entoaram um imbecil "Bicha! Bicha!"
Imagino como deve ser para ele ver a torcida Independente (depois falo dessas antas) gritando o nome do Sérgio Motta (com todo o respeito) e não o dele. Um cara que deu a vida pelo São Paulo em 2006, 2007 e 2008. Que para mim, mais que Thiago Neves e que Hernanes, foi o melhor jogador do Brasileiro em 2007.
O cara é xingado no Domingo, e treina na Segunda. Dando o máximo de si. É o mais simpático possível com os companheiros. Não deixou de me cumprimentar em todas as vezes em que visitei o CCT do São Paulo. Antes de eu ir lhe pedir autógrafo. Mais gente fina impossível. Humilde.
Eu não sei se Richarlyson é homossexual. Também não quero saber. Mas sei que ele é um exemplo. Um exemplo para todos que se sentirem mal em momentos difíceis. Pense em como é viver um momento difícil, tendo todos contra você durante mais de três anos seguidos. Sei que, desde os tempos do Aloísio, não vejo um cara tão gente boa no elenco do São Paulo. E olha que tem muita gente boa ali.
Não sei se os atos que ele faz são homossexuais. Não quero saber, afinal saber para que? Se eu descobrir que ele é um homo que pega 20 na parada gay, ou que ele é o cara mais macho do mundo, vou continuar tratando ele da mesma forma. Por tudo o que ele passou, pelo que ele passa, e pelo que ele passará.
As torcidas brasileiras são, em tese, muito escrotas. A Independente é uma das que passa muito da linha. Conseguem se rebaixar a um nível de imbecilidade e cultural tremendo, em um passe de mágica. Nada de bom sai dela. Músicas sem graça e racistas (quem não se lembra da que tem preconceito contra favelados?), atitudes impensadas (rezo para que, pois, se forem pensadas, aí chegarei a conclusão que eles tem um QI de formiga), preconceitos expostos e tudo que tem de ruim.
Eu não sei se ele é gay, mas tenho guardado e enquadrado um trecho de uma entrevista de Muricy Ramalho para a revista Trivela em Dezembro de 2006:
"Os caras adoram ele aqui dentro. Ele é alegre pra cacete, está toda hora pronto para tudo, nunca reclama de nada, é sempre um dos primeiros a chegar. É determinado e responsável: faz faculdade à noite, quando tem concentração eu libero ele para ir na aula. Ele sabe muito bem o que quer, por isso saiu desta situação. E ele brigou com coisa feia. Eu sei com o que ele brigou, e foi fodido. A palavra é essa. Foi um puta homem. Por isso é que ele superou essa situação"
Concordo com tudo o que Muricy disse. Os imbecis da Independente não têm mente para isso, mas espero que vocês tenham.
FORÇA RICHARLYSON! INDEPENDENTE QUE EMENDE! FORÇA RICHARLYSON!
Postado por Joaquim às 13:37
Marcadores: Colunas, São Paulo
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Só amarrando as mãos para não aplaudir Richarlyson...

O comando da Polícia Militar de São Paulo não tem dúvidas.
A torcida uniformizada mais violenta, perigosa do Estado é a Independente.
Com sede no centro da cidade, ela é constantemente vigiada.
Nos jogos importantes do São Paulo sempre há dois cuidados dos policiais.
O primeiro é cuidar da Independente.
O segundo, proteger os demais torcedores do clube.
Essa fama, a Independente levou anos para conseguir.
O centro da capital paulista já ficou parado várias vezes por causa dela.
Os torcedores já foram a pé para o Pacaembu e para o Palestra Itália.
Mesmo com o cordão de isolamento feito pelos PMs, os torcedores xingavam a própria polícia enquanto iam para os estádios.
Não havia limite para a Independente.
Agora há.
E atende pelo nome de Richarlyson.
No Morumbi o que aconteceu ontem foi simbólico.
Ele foi o grande jogador da partida contra o Fluminense.
Correu, marcou, deu carrinho, driblou, lançou e fez o gol que decidiu o jogo.
Os torcedores comums foram além da comemoração.
De pé, batiam palmas, gritavam por ele.
E xingavam a Independente, que se manteve calada.
Estava claro que torcia contra o jogador do seu time.
Um absurdo.
Por puro preconceito.
O blog apurou que a orientação dos chefes da torcida é para ninguém se manifestar em relação a Richarlyson.
Um vigia o outro.
É proibido até comemorar dribles, desarmes e até gols.
Como aconteceu ontem.
Os chefes não suportam que o jogador não tenha uma postura que eles consideram ideal.
Eles desejariam que ele xingasse, cuspisse, falasse palavrões, tivesse voz mais grossa.
Uma postura que considerassem mais máscula, mais viril, mais troglodita.
Usasse um bigode mexicano.
Eles adorariam se ele se comportasse como o ex-jogador Serginho Chulapa.
Seria perfeito.
Para eles.
Uma grande bobagem.
A sexualidade da pessoa não está nas aparências.
Quem garante o que fazem e fizeram vários 'machões' em campo, longe da opinião pública?
A sexualidade é problema de cada um.
Não a dignidade.
E isso, o jogador tem de sobra.
O futebol de Richarlyson dá orgulho não só ao torcedores do São Paulo.
Não há quem não admire o seu talento, a sua garra em campo, mesmo gostando de clubes rivais.
O preconceito machista trava as discussões nos escritórios, nas redações, nos bares, entre os amigos.
Os são paulinos mostraram ontem à noite quem parece merecer o preconceito.
Com sua postura, a Independente está trasformando Richarlyson em um ídolo, talvez maior do que merecesse.
Está na hora de os chefes desta torcida entender o que está acontecendo ao seu redor.
Para não ficar cada vez mais isolada.
Já é considerada pela PM a mais violenta.
Agora a mais preconceituosa?
Qual o prazer de ser considerada a mais intolerante?
A que vibra contra um dos melhores jogadores do seu clube?
A que é xingada, vaiada pelos outros torcedores do próprio São Paulo?
Vale a pena comemorar o gol de Richarlyson em casa, longe de todos?
Escrito por Cosme Rímoli às 11h36
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Frases
Louis Latzarus
Dez de Agosto - Lula Borges
Banânia
O Luiz Ryff fez um post curto, com cara de twitt, sobre o dia de ontem em que o PT contabilizou a saída de Marina Silva e Flávio Arns enquanto sua bancada salvava o pescoço de José Sarney (e “contabilizar”, como demonstrou Delúbio Soares, não é o forte do partido). Vejam o que Ryff escreveu aqui.
O verdadeiro dia deste mês a ser lembrado quando alguém for contar a história do PT e do governo Lula não é este, mas o 10 de agosto de 2005, este sim o dia que poderia ter dado uma guinada na história do Brasil mas que acabou apenas pavimentando o caminho para que hoje Lula, Renan Calheiros, Fernando Collor e José Sarney criassem um colegiado para governar o país com a ajuda de obreiros dedicados como Wellington Salgado, Almeida Lima, Paulo Duque, Ideli Salvatti e a benção de Edir Macedo.
Num dia em que se lembrava 10 anos da morte de Florestan Fernandes, um dos símbolos da primeira formação do PT, o publicitário Duda Mendonça apareceu sem ser convocado na sessão da CPI dos Correios em que sua sócia, Zilmar Fernandes, seria ouvida. O que aconteceu naquele sessão, até hoje, é difícil de acreditar.
O marqueteiro de Lula pegou o microfone e disse, em cadeia nacional e para quem quisesse ouvir, que os milhões de dólares destinados ao pagamento de seu trabalho foram entregues numa conta no exterior, num paraíso fiscal nas Bahamas, com dinheiro de origem desconhecida. A transação teria sido operacionalizada por outro publicitário, Marcos Valério. Ninguém até hoje negou que isso realmente tenha acontecido.
O presidente do senado, na época, era ninguém menos que Renan Calheiros. Ele se mostrou, para dar ares ainda mais surrealistas ao momento, muito preocupado: "o depoimento [de Duda Mendonça] nos remete a um cenário pantanoso de ilegalidade, incompatível com a legislação brasileira. Sonegação fiscal, evasão, conta no exterior, são coisas que precisam ser investigadas o mais rapidamente possível. Nada pode ficar sem resposta."
Pela lei eleitoral vigente no Brasil, este fato implicaria não só na nulidade da eleição presidencial de Lula como também na cassação do registro partidário do PT, a extinção formal do partido. Seria o fim da linha para um governo que depois, e pelo que fez nesta época, foi apresentado numa ação criminal pelo procurador-geral da república como uma “quadrilha”, uma “sofisticada organização criminosa”.
Enquanto Duda Mendonça mostrava ao Brasil um pouco do modus operandi petista, na Câmara 21 deputados declararam que estavam deixando o partido e pelo menos seis choraram: o ex-líder Walter Pinheiro (BA), Chico Alencar (RJ), Doutor Rosinha (PR), Iara Bernardi (SP), Luiz Bassuma (BA) e Orlando Desconsi (RS). O senador Arthur Virgílio declarou: "governo Lula acabou oficialmente hoje". Só que neste dia o que acabou foi uma geração inteira de brasileiros.
O impeachment de Lula teria sido ainda mais didático ao Brasil do que o de Fernando Collor, mas optamos por seguir em frente e não sermos assim tão literais em relação à lei e ao estado democrático de direito, essa frescura burguesa. Demos os ombros e seguimos em frente. Um país é fruto de suas escolhas.
O dia 10 de agosto é também o dia de São Lourenço, um diácono que viveu no século III em Roma. O santo era o administrador do caixa da Igreja e cuidava pessoalmente da distribuição do dinheiro arrecadado aos pobres. Quando o imperador Valeriano mandou que revelasse onde estavam escondidas as riquezas dos cristãos, São Lourenço levou à sua presença um grande número de viúvas, órfãos, doentes e pobres dizendo que aquele era o verdadeiro tesouro da Igreja.
O imperador, indignado com a insolência, mandou assar o santo numa grelha em brasa e ele morreu queimado lentamente. A partir de 2005, o dia 10 de agosto passou a ser também dos que cozinham a opinião pública em banho-maria, usam os pobres para seu próprio enriquecimento e ainda são canonizados por isso.
O Universo é Chato - Arnaldo Jabor
Hoje estou "filosófico", porque fico olhando as galáxias de um livro que ganhei para esquecer os horrores da política dos micróbios que nos assolam. De um lado a galáxia de 13 bilhões de anos-luz; do outro, os três porquinhos senadores. E se o Sarney é escritor, por que não posso ser filósofo? Pois li também (adoro) textos como o "universo elegante", sobre a teoria das cordas; não entendi nada, mas li também sobre Big Bang e Big Crunch, e ouso dizer que acredito no Big Crunch.
Agora, provou-se que o universo tem massa, mesmo no vácuo, pois ele é preenchido por "neutrinos", mínima partícula elementar que tem massa e pode atravessar "milhões de milhas de chumbo sem ser notado; ele deve ser a matéria escura que enche o universo todo", gemem os cientistas, cegos de tanta evidencia misteriosa.
E foi então, senhores, que eu tive a iluminação: Big Crunch não é nome de sanduíche do McDonald?s. É o destino do universo.
Por segundos, entendi o infinito, como o personagem de Borges no Aleph!
Pois aqui vai então o sentido da vida.
O neutrino é um dos tijolos do universo. O neutrino foi descoberto quando alguns cientistas viram perplexos que as partículas que emanavam de um material radiativo não voavam em todas as direções, sem rumo, mas seguiam uma trilha clara, numa direção dada, como se fossem desviados por algo. Este algo só podia ser uma cama de partículas misteriosíssimas, a que se deu o nome de "neutrino". Se existe uma partícula com massa criando a matéria escura do universo, desfaz-se uma antiquíssima noção, que é a de "sim" e a de "não". Melhor dizendo, se os espaços siderais estão preenchidos, é sinal de que não há o "nada". Nada não há. A ideia de "nada" e de "tudo" é uma ideia de viventes. Como você vai morrer, o seu cérebro se programa para imaginar que "há" uma coisa e "não há" outra. De que há o "cheio" e o "vazio", de que há o vivo e o morto. Ideia de viventes. Muito bem, se a matéria escura está em tudo, há um aterrorizante "continuum" que nos liga a todos, os seres "em si" e os seres "para si" - coisas e homens. Pelo pouco que sei, acho que a pessoa que andou mais perto da verdade foi Spinoza com sua ideia de "substância" e depois Nietzsche, com a recusa a dar aos pensantes qualquer superioridade em relação a um rato ou uma pedra.
Se com o neutrino tudo está preenchido, deduz-se que o universo não está se expandindo na direção de um outro lugar. Não há "outro lugar". O universo está se expandindo em relação a si mesmo, para um dia chegar a si mesmo, se bem que não houve "ponto de partida", pois não houve "partida". O tal Big Bang faz parte simultaneamente do Big Crunch, o colapso do universo sobre si mesmo, recomeçando eternamente.
A filosofia moderna celebrou o fim do sujeito, mas agora estamos perto do fim do "objeto". Portanto, não há objeto, porque só pode haver sujeito e objeto se houver intervalo, vazios, diferença. Não há.
Quando Descartes falou: "Penso, logo existo", estava dizendo: "Penso, logo, penso que existo." Descartes estava apenas inventando o "sujeito", ou melhor, inventando o francês, aquele sujeito em dúvida com uma "baguete" de pão debaixo do braço.
Estamos todos mergulhados num caldo de cultura infinito, onde parece que boiamos; apenas ''parece'', pois somos também o caldo onde boiamos. A mosca e a sopa são a mesma coisa.
Mas, a ciência acha que chegaremos a um fim, a uma espécie de "revelação", como se, seguindo a "estrada de tijolo amarelo" chegaríamos a Deus, ou, pelo menos, ao Mágico de Oz. A ciência vai colapsar sobre si mesma, como o universo. E não só não encontraremos ninguém, como tampouco o nada, porque o "nada" não há, nem "ninguém" não há. Nada se definirá, nem energia nem matéria, pois são a mesma coisa, uma se bombeando para dentro da outra, numa trepada eterna de desmanches e recomposições. Assim, a física moderna tira-nos qualquer esperança de encontrarmos uma resposta, o que pode ser até o início de uma nova arte de ser.
Se não vamos chegar a nada, não temos de descobrir resposta para nada. Não porque Deus não "exista". Deus existe sim; ou melhor, Deus existe não como coisa a ser "atingida". Deus, senhores, é este eterno oscilar (arghhhh!) entre matéria e energia, entre os quarks mais remotos e as grandes galáxias. Há uma correspondência "ôntica" (perdão...) entre as estrelas e nosso sistema de vida e morte, de "sim" e "não". Nada "ex-iste", no sentido de estar fora de algo - ("ex-sistere" - estar em pé, do lado de fora) Fora de quê, saiu "de dentro" de onde?
Em verdade vos digo, ó raríssimos leitores, que Deus existe, mas não é pai. É tão órfão quanto nós, um Deus-matéria, orfão de si mesmo. A única coisa que nos resta é a grande paz da ausência de esperança. A razão humana devia parar de querer atingir um "futuro".
A razão tinha de ser um Big Crunch, mordendo o próprio rabo, voltada para dentro, para nós os homens, para nosso prazer e saúde. Portanto, já que o Brasil político não anda, já que o PMDB teve o Big Crunch, que Lula se acha "Deus", eu fundo aqui, ó incréus, um novo panteísmo pós-moderno, um panteísmo materialista, com um Deus que não "ex-iste". O Brasil é a prova do Big Crunch!
Somos todos iguais - parte de Deus. Este é o sentido da vida.
Causos - Política
Quarta-feira, 19 de agosto de 2009 - Migalhas nº 2.208.
Quem é o vi-vi-vi-ce ?
Campanha de 1996 para a prefeitura de Boa Vista, Roraima. De um lado, Ottomar Pinto, ex-governador, candidato a prefeito pelo PTB; de outro, Salomão Cruz, candidato pelo PSDB. Ottomar elegera para sucedê-lo, em 1994, Neudo Campos. Mas a fofoca era de que, ganhando a prefeitura, em 1996, poderia passar apenas dois anos na Municipalidade (pois voltaria ao governo em 1998), deixando o comando com Clodezir Filgueiras, chamado de Mimi, empresário do ramo de automóveis. Mimi era pouco conhecido na capital. Este escriba coordenava a campanha de Totó (como era chamado Ottomar) e Mimi. Passava em Boa Vista uma semana e voltava a São Paulo. No meio da campanha, recebo um telefonema aflito de Luiz Santoro, coordenador do programa de TV.
"Pelo amor de Deus, pegue um avião urgente. A campanha pegou fogo. Arrumaram um gaguinho e o cara aparece toda hora na TV, nos programas noturnos e nas inserções ao longo do dia, tentando perguntar com sua gagueira :
- Qu.qu...que...que..quem é o Vi-vi-vi-ce.. ? Estão chacoalhando nossa campanha. Totó e Mimi estão desesperados à sua procura. Temos de reagir."
Gozação geral
A cidade caía na gargalhada. O gaguinho fazia sucesso perguntando quem era Mimi. Tratava-se de um estratagema. A campanha de Salomão Cruz queria insinuar ao eleitorado que Ottomar, ganhando o pleito, passaria o bastão para Mimi. E quem seria este Mimi, que ninguém conhece ? "Você, eleitor, aprovaria um vice prefeito desconhecido no lugar do prefeito para governar a cidade ? "Era essa a cabreira tática dos opositores.
Corri para Boa Vista. Fui logo atrás do gaguinho. Percorri bairros e feiras, onde frequentava.
- Cadê o gaguinho, você conhece o gaguinho, uma grana para quem descobrir o gaguinho.
Depois de extenuante procura, achei o cara. Conversa vai, conversa vem, o gaguinho cedeu. Fomos, no cair da tarde, fazer uma gravação no mesmo lugar e com o mesmo plano da gravação adversária. Ele teria de dizer a mesma coisa como se fosse o repeteco do que vinha fazendo :
- Qu..em.qu..quem é o Vi-vi-vi-ce ?
Nesse instante, a câmera corta para Mimi, ao lado do gaguinho, que completa com um grande abraço no empresário Clodezir Filgueiras :
- Ah, o vi-vi-ce é meu ami...amigo Mi-mi.
Foi um estouro. Aproveitávamos o mote da campanha de Salomão, que funcionou como teaser (chamariz), para massificar o nome do vice.
Desapareceu pela madrugada
O gaguinho passou o restante da campanha numa cidade da Venezuela, que faz fronteira com Roraima, escondido na casa de uma irmã. Fomos deixá-lo, de madrugada, na estação.
Desapareceu. Para raiva dos adversários. Ficou calado o resto da campanha. Só apareceu após a vitória de Ottomar. Para repetir o refrão :
- Quem..quem..quem é o vi-vi-ce ? Ah, é meu amigo Mi-mi.
Não sei como ele está. Mas o gaguinho virou herói. Sabido como ele só.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
A nova morte de Babilônia
A nova morte de Babilônia
Parte das ruínas da cidade bíblica foram destruídas pelas forças americanas que ocupam o Iraque
Nada Bakri
-
Nada Bakri/WP

Maytham Hamzah voltou os olhos para as ruínas do palácio de hóspedes do rei Nabucodonosor na Babilônia, uma das primeiras grandes cidades do mundo. Sorriu com amargura. "Eles destruíram o país todo", disse Hamzah, diretor do Museu da Babilônia, sobre as forças americanas no Iraque. "Em comparação a isso, o que são um punhado de tijolos antigos e paredes de barro?"
As forças americanas não destruíram exatamente a cidade de 4 mil anos, que abriga uma das sete maravilhas do mundo originais, os Jardins Suspensos da Babilônia. Mesmo antes da chegada dos soldados, não restava muita coisa: um punhado de fraturadas edificações de barro e tijolo e fragmentos arqueológicos numa planície fértil entre os Rios Tigre e Eufrates.
Mas eles a transformaram no Acampamento Alfa, uma base militar, pouco depois da invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos, em 2003. Sua estada de 18 meses no local provocou "imensos danos" e representou um "grave abuso contra esse sítio arqueológico conhecido em todo o mundo", diz um relatório publicado este mês pela Unesco, a agência cultural das Nações Unidas.
As ruínas estão dispostas numa área retangular de 850 hectares ao longo da margem ocidental do Eufrates. O sítio compreende o palácio de Nabucodonosor, reconstruído pelo então presidente Saddam Hussein nos anos 1980; as ruínas do Templo de Ninmakh; e um palácio para os hóspedes reais. Além disso, há também o Leão da Babilônia, uma escultura de 2.600 anos, e as ruínas da Porta de Ishtar, a mais bela das oito portas que antes circunscreviam o perímetro da cidade. A porta ainda traz os símbolos dos deuses babilônicos.
De acordo com o relatório, publicado após cinco anos de investigação conduzida por uma equipe de especialistas iraquianos e estrangeiros, soldados invasores e empreiteiros passaram escavadeiras nos cumes das colinas e depois os cobriram com cascalho para usá-los como estacionamento de veículos militares e trailers. Eles também passaram com veículos pesados sobre o frágil pavimento de estradas antes sagradas.
O relatório diz também que soldados construíram barreiras e barragens para proteger a base, pulverizando peças ancestrais de cerâmica e tijolos gravados com caracteres cuneiformes. Cavaram trincheiras onde armazenaram tanques de combustível para seus helicópteros, que pousavam perto de um antigo teatro. De acordo com o relatório, entre as estruturas mais danificadas estão a Porta de Ishtar e uma via antes usada em procissões. Especialistas dizem também que soldados encheram sacos para barreiras com solo retirado de um sítio repleto de fragmentos arqueológicos.
Também foram saqueados tijolos - tanto os dos antigos babilônios quanto os mais novos usados por Saddam para reconstruir parte das ruínas. Os de Saddam eram adornados com uma ode ao ditador.
"A extensão do estrago é imensa", disse Maryam Mussa, funcionária do conselho de patrimônio e antiguidades do Estado iraquiano, órgão encarregado de administrar o local. "Será muito difícil reparar os danos. Nada pode compensar tamanha perda."
Porta-vozes das forças americanas no Iraque não quiseram comentar o relatório. Eles já haviam dito que os saques teriam sido muito piores se os soldados dos Estados Unidos não estivessem ali. Os porta-vozes também haviam afirmado, em 2005, que a instalação da base fora discutida com arqueólogos iraquianos encarregados do local.
O sítio está fechado para o público desde 2003. Diante de críticas cada vez mais fortes por parte de arqueólogos do Iraque e de outros países, os soldados deixaram o local no verão de 2004. Em junho passado as visitas voltaram a ser permitidas, apesar do alerta de especialistas de que as ruínas poderiam sofrer ainda mais danos caso não fossem primeiro restauradas e devidamente protegidas.
Muitos residentes de Hilla, uma cidade localizada 100 km ao sul de Bagdá e muito próxima das ruínas, disseram não ter mais voltado ao sítio porque não suportam ver o estrago. "De que ruínas você está falando?", ironizou Jawad Kathem, de 55 anos, proprietário de um pequeno mercado na vila próxima de Jumjumah. "Não sobrou nada delas. Tudo foi destruído ou saqueado."
"São forças de ocupação", disse Sabah Hassan, 41 anos, morador de Hilla e dono de um café próximo às ruínas. "Ninguém pode dizer a elas o que podem ou não fazer."
Alguns dias atrás, o vento varria as ruínas desertas enquanto Maytham Hamzah acompanhava visitantes numa visita ao museu que dirige. Com o entusiasmo de alguém que há anos esperava pela oportunidade de partilhar seu conhecimento, Hamzah recitava a história da antiga Babilônia. Os portões do museu estavam trancados.
"Desta sala, o rei Nabucodonosor comandava seu reino", disse ele, agitando as mãos na sala espaçosa onde se acredita que ficasse o trono de Nabucodonosor II. O rei transformou a Babilônia em uma das maravilhas do mundo antigo. Historiadores dizem que ele tinha mais orgulho de seus projetos arquitetônicos que de suas muitas vitórias militares.
Várias iniciativas de restauração de Babilônia foram anunciadas nos últimos seis anos, mas nenhuma delas avançou. Agora, com a melhoria da segurança no país, funcionários iraquianos esperam dar início a um projeto de restauração dotado com US$ 700 mil pelo Departamento de Estado dos EUA e com duração prevista de dois anos. As Nações Unidas também tentam fazer do sítio arqueológico um Patrimônio da Humanidade, designação que atrairia apoio e proteção.
"É claro que isso não é suficiente, mas é melhor que nada", lamentou Maryam Mussa, a responsável pelo local. "Esperávamos que os trabalhos começassem ainda este ano." Em sua mesa, documentos detalhando os danos jantavam pó.
Chupar Manga! - M u n d o M u n d a n o
chupar manga
Johnny na Babilônia
Chupar manga é uma arte para poucos. Digo isso porque não são todos os que realmente gostam de chupar manga. Tem gente que chupa só pra acompanhar, cumprir o script. E, convenhamos, para além do desrespeito para com a fruta, não há nada mais frustrante que ver alguém chupando manga de forma burocrática...
O bom chupador de manga deve ter notórios conhecimentos anatômicos sobre esta tão apreciada fruta. A teoria é importante, mas só a prática faz o expert. Então, tem que estudar, analisar, mas também ver, tocar, beijar, lamber, chupá-la por inteiro.
Tem que saber também onde estão as melhores árvores desta fruta. Ao avistá-la, é necessário todo um ritual prévio. De nada adianta balançar o pé freneticamente esperando a recompensa. O bom chupador de manga deve antes admirá-la, regá-la, elogiá-la, podá-la, cuidá-la. Na hora certa a fruta cairá em suas mãos. Molhada manga.
Rosa?
Caída a fruta, aproveite e se esbalde. Esqueça as regras, as convenções, a educação e principalmente o pudor! Não se preocupe com os fiapos. Chupe, lambe, beije, sugue, beba o sumo, sinta o sabor.
E sem essa de que manga com leite faz mal. Manga combina com tudo.
Absolutamente tudo! Gelo, chantilly, morango, mel, sorvete.
Chupar manga é uma das maravilhas do mundo profano.
Lambuze-se.
RESERVEM 5 MINUTOS DO SEU TEMPO PARA LEREM ISSO. ABSURDAMENTE TRISTE...
14.8.2009
8h03m
'O abuso de criança no Brasil passou dos limites'
O Brasil é o maior consumidor de pornografia infantil na Internet. O maior volume de crime cibernético é cometido por esta Nação. São milhões de brasileiros, em frente ao computador, consumindo pornografia infantil. E isso não se paga com cheque, nem com duplicata, é com cartão de crédito. E palmas para os operadores de cartão de crédito, que não precisaram ser chamados. Apresentaram-se à CPI da Pedofilia com o sentimento de quem têm alma, de quem têm noção exata da necessidade de guardar nossas crianças, que são nosso futuro.
Depois de seis meses de estudo, assinamos o Termo de Ajuste de Conduta. Muito importante! Ele estabelece que, a partir de agora as autoridades brasileiras terão um cartão chamado “cartão rastreador”. E, com esse cartão rastreador, elas entrarão nos sites de relacionamento, nas salas de bate-papo denunciados como criminosos. Entrarão e terão como checar, e terão como tomar providências. Os indivíduos que compram pornografia ficarão registrados, e seu registro, de maneira automática, irá para a Polícia Federal.
(...) O Brasil é um grande abusador. O abuso de criança no Brasil passou todos os limites – se é que há limite para se tolerar qualquer tipo de crime e, muito pior, o crime de abuso de crianças.
(...) Estive em Alto Rio Novo, onde aconteceu uma coisa interessante: eu falava e trouxeram umas escolas com crianças de onze, doze anos de idade. E, no final, quando eu ensinava às famílias quem era o pedófilo, o modus operandi do pedófilo, e falava sobre bolinamento – esse novo tipo penal que criamos na CPI, que criminaliza o bolinamento –, ou seja, a manipulação do órgão genital da criança. E, quando eu dizia como o pedófilo faz para alcançar a criança e depois levar a criança para o bolinamento, ou seja, à manipulação do órgão genital – para depois levá-la ao abuso, ou seja, à conjunção carnal –, algumas crianças começaram a chorar. Olhavam uma pra outra, desconfiadas, e choravam.
No final, eu as recebi em uma sala, e a maioria daquelas crianças que estavam em Alto Rio Novo confessou o bolinamento por uma pessoa só. Uma pessoa acima de qualquer suspeita na cidade, que, inclusive, estava assistindo à minha palestra. Quando percebeu o movimento, no final, porque eu falava e mostrava algumas imagens, ele saiu muito rapidamente. Um homem religioso, um presbítero!
(...) Sr. Presidente, na quinta-feira retrasada, antes de começar o recesso, foi votado, por unanimidade, no plenário deste Senado a alteração do 244, do Estatuto da Criança e do Adolescente, que já seguiu para votação na Câmara. Onde a criança de zero a 14 anos for encontrada depois de sofgrer abuso, se dará o perdimento do bem móvel e imóvel. Isso quer dizer o seguinte: se ela for abusada num motel, o dono do motel irá perder seu imóvel. Se for encontrada uma criança de 13 ou 14 anos num posto de gasolina, o dono do posto perderá o posto. Vai perder o hotel, vai perder a pousada, vai perder o caminhão, vai perder o táxi, vai perder o imóvel, até a Igreja.
Por que estou falando em Igreja? Porque tem milhares de religiosos no Brasil abusando de crianças.
Eu tenho imagens de religiosos abusando de crianças em cima do altar! Do altar! Eu tenho imagens! A nossa mente não alcança isso. É a própria degradação da humanidade e que requer que todos estejamos juntos.
Nessa mesma lei, tornamos crime hediondo o crime de abuso de criança de 0 a 14 anos de idade. Agora, essa lei já foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira próxima passada. É lei no Brasil! Olhem só que maravilha! E o Brasil ainda não tomou conhecimento. Mudou-se o nome dos títulos dos crimes de natureza sexual para “crimes contra a dignidade sexual”, em vez de “crimes contra os costumes”. Tipifica-se o "estupro de vulnerável”: é aquele que tem como vítimas menores de 14 anos ou pessoas com deficiência mental. A pena vai variar de oito a 15 anos de reclusão.
Sabem por que estou falando isso? Porque tem um tipo de pedófilo na sociedade que só quer abusar de criança com Síndrome de Down. Há um tipo de pedófilo que só quer abusar de criança com lesão mental e na cadeira de roda, criança deficiente, criança com aspecto doentio, criança desnutrida.
Prestem atenção, tarados de plantão: definiu-se, objetivamente, que a relação com menor de 14 anos é estupro. Se houver participação de quem tenha o dever de cuidar ou proteger a criança (se houver a participação dessa pessoa), o tempo de condenação será aumentado em 50%. Ou seja: a mãe permitiu; o pai permitiu; o pai levou; a tia facilitou, então terá 50% da pena aumentada. O autor de estupro contra maiores de 14 anos e menores de 18 anos – olhem bem – será punido com oito anos a 12 anos de prisão. Atualmente, a pena varia de seis a 10 anos.
Para qualquer crime sexual que gere gravidez – lá em Roraima tinha uma menina de oito anos e outra de 12 grávidas do Procurador que tomou 259 anos de cadeia. Para esse tipo de crime a pena aumentará em 50%.
(...) Agora, eu recebi um telefonema dizendo que em Açailândia, no Maranhão, está preso o diretor de um colégio (diretor e professor do colégio mais importante da cidade) porque estuprou a netinha de três anos de idade. Então, vejam: se houver a participação de quem tem o dever de cuidar e proteger a vítima, o tempo de condenação será aumentado em 50%.
(...) Se, no ato, a vítima contrair alguma doença sexual – lá em Roraima, a menina estava com doença venérea, a que estava grávida do Procurador – haverá acréscimo de um sexto à metade do tempo de condenação. Mas a lei no Brasil não retroage; se retroagisse a pena dele iria aumentar.
Se o estupro resultar em morte... Eu tenho caso de pai preso, no meu Estado [Espírito Santo], que estuprou a filhinha de dois anos. A bichinha morreu, e ele achou pouco, enfiou um cabo de vassoura no ânus da criança, tirou a mucosa. Fui ouvir esse cara-de-pau, coloquei a foto da criança na frente dele, e ele disse: “É minha filha”. Se o estupro resultar em morte, a pena máxima, que atualmente é de 25 anos de prisão, passa para 30 anos.
O autor de assédio sexual a menores de 18 anos, que hoje é apenado entre um e dois anos de reclusão, terá a pena aumentada de um ano e quatro meses a dois anos e oito meses.
A nova lei também estabelece que tanto homens quanto mulheres podem ser vítimas de crime contra a liberdade e o desenvolvimento sexual. Deixa de existir o crime de atentado violento ao pudor, mas homens podem ser vítimas de estupro. Antigamente, falava-se em estupro só para mulher, só menina, não menino.
Agora, inclui-se o homem.
(...) Para o tráfico de pessoas no país a pena será de dois a seis anos de reclusão, enquanto a modalidade internacional será apenada com três a oito anos, sendo aumentada em 50% no caso de a vítima ser menor de 18 anos. Há crianças passando pela Ilha de Marajó e indo para a Guiana Francesa.
(...) As ações penais de natureza sexual passaram a ser públicas, incondicionadas e não mais privadas. Sabem o que isso quer dizer? A ação só podia ser aberta se pai e mãe fizessem a denúncia e autorizassem. Se pai e mãe não autorizassem, dissessem: “Não, eu não quero, não, porque vai expor meu filho, vai envergonhar minha família, foi acontecido na igreja, a gente não quer expor porque é o padre, não quer expor porque é o pastor. Nós vamos embora da nossa cidade, não pode fazer.” Então, ninguém fazia.
Esperava a criança fazer 18 anos e, com 18 anos, ela tinha seis meses para fazer a sua denúncia. Passados seis meses, se não houvesse denúncia, o molestador deixava de responder pelo crime. Agora não, as ações penais de natureza sexual passaram a ser públicas. Querendo ou não a família, o Ministério Público pode fazer a denúncia.
(...) O que a família precisa aprender? Primeiro, quem é o pedófilo. O pedófilo é uma sombra. Ele age no escuro. Pelo pedófilo qualquer um põe a mão no fogo. É alguém acima de qualquer suspeita. Ele não é truculento, ele é uma pessoa amável, fácil de fazer amizade. De cada dez casos, seis têm pai no meio. Pode ser um tio, pode ser o próprio avô da criança, pode ser o melhor empregado, pode ser aquele sujeito que leva as crianças para a escola, pode ser o sujeito que dirige a van, pode ser aquela pessoa do relacionamento, pode ser marido da sua melhor amiga, que fica com os seus filhos em casa para dormir enquanto você viaja, pode ser o sacerdote da sua igreja, seja qual credo for, pode ser alguém na creche, pode ser alguém na escola. Então, é preciso saber quem é ele.
(..) Como os pedófilos agem? Eles não são truculentos. O estuprador é truculento. Ele cerca uma mulher de 80 anos, joga-a no matagal, estupra-a, sacia sua lascívia, vai embora, deixa-a sangrando e chorando. Mas o que ele fez com uma de 80 faz com uma de 40, com uma de 30, com uma de 13, com uma de 20, na força, com uma faca na mão, com um 38 na mão, ameaça de morte e estupra na marra.
O pedófilo não. O pedófilo é amável, um conquistador, gosta de dar presentes, gosta de festejar, tem sempre alguma coisa na sua casa que chama a atenção da criança, um DVD, um filme infantil, um balãozinho, uma bola, um bichinho de pelúcia. É alguém que gosta de presentear, de andar com a criança no colo, se prontifica sempre a tomar conta dos seus filhos. O modus operandis deles é sigiloso. Eles operam, conquistam, oferecem, trocam a emoção, a confiança da criança por um brinquedo, por um doce, por um lanche, por um tênis.
Depois, bolinam a criança, manipulam a criança; depois, levam para o abuso definitivo. E aí impõem o império do medo sobre a cabeça da criança. E o império do medo é sempre assim: “Olha, é um segredinho nosso. Ninguém pode saber, nem seu pai, nem sua mãe. Se alguém ficar sabendo, pode acontecer uma coisa ruim”. E a criança, debaixo do império do medo, começa a sinalizar. E mãe e pai precisam aprender, perceber uma criança abusada.
Uma criança abusada dá sinais. Primeiro, volta a fazer xixi na cama; se nunca fez, vai fazer. Uma criança abusada cai em rendimento na escola; come compulsivamente porque fica nervosa, ou para de comer; fica depressiva; de noite, tem pesadelo, grita, dormindo; reclama de dor nas pernas; ou fica malcriada, mal-humorada. Era uma criança dócil, não é mais. Só quer dormir na casa da coleguinha, só quer estar na casa da tia, não quer mais dormir em casa, não quer mais ir à escola, não quer ir mais à creche.
Quando você fala na casa da vovó, ela reage porque está sendo abusada por alguém ali. Quando tem festa de família, alguns chegam, ela corre e se esconde atrás de você. Criança abusada dá sempre um sinal. E é preciso perceber. Mas a coisa mais importante é imunizar uma criança. Nós estamos vivendo abuso de criança de um ano de idade. Eu eu tenho imagens de médicos abusando de criança de vinte dias de nascida. Eu tenho imagens de criança de um ano sendo abusada. E eu tenho imagens de crianças de dois, três anos, amarrada, recebendo conjunção carnal, criança que foi brincar na casa do tio, na casa do amiguinho do lado.
Como imunizar a criança? É preciso quebrar os tabus. É pegar a criança na hora do banho – a mãe, pai não – e dizer assim: “Meu filho, isto aqui é seu órgão...”. Criança não entende o que é órgão genital. Mas falar assim: “Meu filho, isto aqui é seu piu piu”... Eu não sei como se fala nos outros Estados, mas, sei lá... “Este aqui é seu piu piu”. “Isto aqui, minha filha, é sua perereca. Aqui é seu bumbum”. É assim que tem que fazer: “Isto aqui, Papai do Céu deu para fazer xixi. Ninguém pode tocar, ninguém pode botar a boca aqui, ninguém pode colocar o dedo, ninguém pode. Carinho em criança, meu filho, faz no rosto, faz na mão, faz na testa. Quem põe a mão aqui não gosta de você, não gosta de papai, não gosta de mamãe. Ele quer ver você triste, ele quer ficar alegre e deixar você triste. Você vai crescer um homem triste, você vai crescer uma mulher triste, você vai chorar de noite, vai ter pesadelo. Meu filho, se alguém fizer isso, você corre, você grita. Se alguém lhe der um doce, der um brinquedo, der um lanche, tentar botar a mão na sua cuequinha, dentro da sua calcinha, você fala: ‘Mamãe falou que não pode, que está errado. Não é aí que faz carinho em criança’. Grita, corre, conta para mamãe”. E aproveita e pergunta logo se alguém já não isso com ela.
É preciso imunizar, com informação, os nossos filhos, porque o abuso acontece em todos os lugares.
(Trechos do discurso pronunciado ontem pelo senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI da Pedofilia)
MST manda no País - Editorial do Estadão
A nova "jornada de lutas" do Movimento dos Sem-Terra (MST), que a cada ano se mostra mais organizado, abrangente e desafiador das leis do País, tenta deixar claro que não é o governo e sim os "movimentos sociais" que devem fazer a reforma agrária, estabelecendo a quantidade e o ritmo de alocação de recursos a ela destinados, bem como à assistência das famílias de assentados e acampados. Isso porque, enquanto o presidente Lula, em sua coluna semanal em jornais, diz que de 2003 até agora seu governo assentou 519.111 famílias - mais da metade do total de 1 milhão de famílias beneficiadas nos 40 anos de existência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) - e destinou 43 milhões de hectares para assentamentos de sem-terra, de um total de 80 milhões utilizados em toda a história do País, a "jornada" emessetista cobra "mais incentivos à reforma agrária e aos assentamentos", incluindo a liberação de R$ 800 milhões do orçamento do Incra e a atualização dos índices de produtividade no campo. Quer dizer, o governo não entende nada de prioridade de alocação de recursos públicos ou de apoio às famílias que trabalham no campo - quem entende disso é o MST.
Como tem ocorrido nas últimas vezes, também nesta "jornada" as invasões e ocupações têm mantido a preferência por prédios públicos, especialmente os pertencentes ao Ministério da Fazenda e ao Incra.
Em Cuiabá o prédio da Receita Federal foi invadido por 1.200 militantes do MST e entidades assemelhadas. Cerca de 850 sem-terra marcharam pelo Mato Grosso e chegaram a Mato Grosso do Sul sexta-feira. Em Curitiba, além de invadirem o prédio do Ministério da Fazenda e do Incra, 700 manifestantes sem-terra tomaram as ruas centrais da cidade, provocando grandes transtornos no trânsito. Em Belém, depois de sete dias de marcha, 850 sem-terra invadiram e ocuparam edifício do Ministério da Fazenda. Em Brasília cerca de 4 mil integrantes do MST e Via Campesina ocuparam a sede do Ministério da Fazenda, na Esplanada dos Ministérios. Em três cidades do interior, no Ceará, foram ocupadas agências do Banco do Nordeste. Em Fortaleza, paralisaram o funcionamento da superintendência regional do Incra.
Em Salvador, um grupo de 400 integrantes do MST ocupou a sede local da superintendência do Incra na cidade. Em Porto Alegre, cerca de mil sem-terra e integrantes da Via Campesina acamparam diante do prédio da Receita Federal, impedindo o atendimento ao público. Além da ajuda financeira às famílias de assentados e da criação de novos assentamentos, eles reivindicavam ajuda à agricultura familiar gaúcha, que teria sido gravemente afetada pela estiagem, no primeiro semestre deste ano. Em Petrolina, cerca de 150 famílias do MST ocuparam a sede do Incra na cidade. Em Maceió um protesto reuniu cerca de 600 agricultores provenientes de várias regiões de Alagoas. Em Florianópolis cerca de 400 sem-terra fizeram protesto em frente de delegacia do Ministério da Fazenda. Em São Paulo, os militantes do MST tentaram ocupar o edifício do Ministério da Fazenda, mas foram impedidos pela Polícia Militar e tiveram que se contentar com manifestação de protesto na frente da repartição.
O desrespeito às leis, à ordem pública e à propriedade não constitui novidade nas manifestações sazonais do MST e assemelhados. O que se torna cada vez mais merecedor de destaque - afora a habitual falta de reação das autoridades a tal baderna nacional - é a proficiência com que os líderes desses movimentos ditos "sociais" dão diretrizes administrativas para o governo, em vários campos. Pontificam sobre finanças públicas - como faz o líder José Damasceno, comandante das invasões em Curitiba e região - ao analisar o "contingenciamento de recursos" e as necessidades de investimentos do governo para atender à demanda das famílias, "do ponto de vista social e econômico". Também determinam diretrizes sobre preservação do meio ambiente e sobre produtividade agrícola - e é bem possível que já tenham equacionado a estratégia de exploração e desenvolvimento de produção de petróleo da camada do pré-sal. Só é de estranhar que ainda não tenham lançado um candidato a presidente da República, vindo diretamente de suas bases. Mas, pensando bem, por que precisarão disso?
Mais uma do Zé...
“Eles se batem, e se esquecem de nós”
De José Dirceu, ontem, falando sobre o que achava da troca de chumbo entre Globo e Record:
- Está ótimo. Enquanto eles se batem, se esquecem de nós.
Por Lauro Jardim
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