sábado, 21 de junho de 2008

Carta ao Sapo Barbudo


Excelente post do Serjão.


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Terça-feira, Junho 17, 2008
Carta para o Sapo
Como vai presidente? Para começar vamos combinar: a partir de agora me referirei a Vossa Excelência como Sapo barbudo. Isso mesmo. Aliás, nem é inédito. O velho (e ruim) Brizola foi o primeiro a chamá-lo assim. Na época não reparei ninguém de sua turma reclamar usando o velho vitimismo petista tipo "Como pode alguém chamar de sapo o tadinho do operariozinho que veio do povo?" Nem passa pela minha cabeça que estavam tão interessados no apoio do velho (e ruim) caudilho no segundo turno da eleição de 89 contra Collor, que fingiram que não ouviram. Como quem cala consente... Portanto, esta é a nova ordem: Vossa Excelência é a anta de Mainardi e agora é meu Sapo. Acostume-se. Não vai doer nada.
Começo dando-lhe parabéns. Você sabe que será um marco neste país que será dividido entre antes e depois de seu governo. De uns anos para cá tudo se modificou muito. O que era errado passou a ser normal e o que era antiético ou imoral passou a ser, como direi... Republicano. Debaixo do seu nariz um filho ficou milionário, um compadre co-participou na maior vergonha financeira da história recente, e até seu irmão lambari foi flagrado fazendo lobby. Roubou-se e se deixou que se roubasse. Teve cuecão, mensalão, mensalinho, fraudes das mais diversas nas estatais, um aumento absurdo dos gastos públicos e da carga tributária. Tudo isso em pouco mais de cinco anos. Que festa, heim sapo? E tudo isso aconteceu com a completa passividade da população. Os motivos para isso são vários. Primeiro, você sabe, é a alienação política que reina por aqui. Ninguém quer saber de porra nenhuma a não se de futebol e novela. Mas o motivo principal é o povinho que temos mesmo. Aquele que coloca areia em latas de leite, lembra? Eles acham toda a roubalheira normal e fariam o mesmo no seu lugar. Pois é. Fosse na Argentina as panelas já lhe teriam derrubado. Aqui ninguém dá bola. Sorte sua.
Mas tem um "porém", sapo. Tudo isso tende a ficar como está se não chegar no supermercado. Bom, na verdade já chegou. Você não tem a menor noção disso porque manda comprar o seu coelho e sua picanha argentina e não pergunta quanto é. Mas a classe média, a grande vítima social de seu governo, já sofre há pelo menos dois anos com aumentos de preços. Enquanto o problema for limitado a esta "burguesia", todos sabem, você nem liga. No fundo você quer que a classe média pague impostos e morra, não necessariamente nessa ordem. Mas se a carestia chegar no povão, tenha a certeza, Sapo, que a sua carruagem vai virar mamão. Pergunte ao pai da Roseana se não é assim. E não vai haver aumento no bolsa-esmola que dê jeito.
Sua mídia repleta de petistas já está em campo com a velha tática do "culpe alguém". Desta vez os vilões são a Índia e a China cujas populações estariam comendo mais. Arruma outra, Sapo. Esta não cola, não. Quer dizer que o queijo de Minas, fabricado há quatrocentos quilômetros daqui do Rio, que em um ano passou de 4 para 11 paus é agora ingrediente da gastronomia chinesa? Então a carne de segunda que em seis meses subiu de R$ 3,50 para R$ 8,00 é agora muito degustada pelos indianos que nem de carne bovina se alimentam? Aumentos de mais de 100%? Qualé, sapo? Pra cima de mim?
Nós dois sabemos que a coisa poderia ser muito pior se você não segurasse com unhas e dentes o preço da gasolina que possui um claro efeito cascata sobre os outros produtos e serviços. E você vai mantê-lo assim pelo menos até as eleições. Depois, só Deus sabe como você vai lidar com a primeira dificuldade real, sem origem partidária ou familiar, que apareceu em seu governo, com um IGPM projetado em 10%. Boa sorte, sapo. Conhecendo o quanto você gosta de gastar, vamos todos precisar.
Foto: Blog do Zé Valter
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