terça-feira, 3 de junho de 2008

Filhos: menino ou menina?



Um escritor barato (como ele próprio se auto define) sempre me chama a atenção com seus contos. Fabio Hernandez ( http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/) consegue, em poucas palavras, falar das coisas mais lindas e elementares da existência humana masculina.
Publico aqui um de seus últimos textos e, aproveitando, hoje quero falar sobre filhos. COM CERTEZA, nao tenho a menor autoridade no assunto, até porque não tenho filho(s). Ainda.
Mas o que quero tratar é sobre o gênero do futuro bebê. Ainda que os tempos modernos tenham chegado para ficar e que, muita gente não queira casar e/ou ter filho(s), 99% já pensou um dia sobre ter filhos.
E, consequentemente: menino ou menina?
Como homem, afirmo: todo homem gostaria de ter um filho para a realização de seus sonhos enquanto homem, gênero masculino, pólo macho. Nisso inclui: vestir como primeira roupinha o uniforme do time do coração, levar o filho no estádio, ensinar a dirigir, tomar um porre com o filho, etc.etc.etc.
Mas e a menina?
Hmm... na minha humilde opinião, elas têm a preferência...A menina é muito mais carinhosa, ligada ao pai, ciumenta, preocupada com o pai, mais fácil de criar. Em geral, se envolve menos em confusões, dá menos dor de cabeça. Lógico que, quando ela começar a ficar/namorar eu vou me morder de ciúmes e querer capar cada um dos maledetos que ousarem encostar um dedo nela. Mas adianta?
Ainda assim, todo aquele carinho, meiguice, cuidado e dengo da menina-mulher compensa todas as futuras dores de cabeça. Não sei como é na casa de vocês, mas já dou a letra de como é chez moi: em disputas com a minha irmã, eu nunca tive chances....ela REINA absoluta e incontestavelmente sobre meu pai!!!!
Ok, daddy, eu entendo....rsrsrs
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Escrito por Fabio Hernandez - 27/05/2008
Eu também vou estar ali, filha

Não sei se você vai ler isso, filha. Você é tão menina, e acho que você choraria se lesse isso hoje. Talvez outra hora. Vou fazer que nem aquele professor americano que, com os dias contados, deu uma aula de como morrer, e como viver, a uma platéia enlevada. A aula acabou no YouTube, virou um fenômeno mundial, e o professor disse que a primeira razão de ter feito o que fez foi mostrar aos filhos o quanto os amava. Ele disse que sua mensagem era como uma garrafa com palavras jogada ao acaso da água do mar. Talvez a garrafa seja encontrada e o conteúdo lido, talvez não. O que escrevo talvez seja lido por você, pedaço adorado de mim, talvez não. Jogo dados com o destino, para usar uma frase de Einstein.

Fiquei tocado com o que você me disse outro dia, filha. Não, não quero voltar a nascer, você disse ao entrar no carro na hora em que a busquei em sua avó. Você tão garota, e palavras tão profundas pronunciadas com a ênfase necessária, os pequenos olhos brilhantes molhados. Mas a voz firme. Imagino que alguém tivesse falado com você sobre reencarnação. Que eu poderia responder além de que eu também não? Nascer em outra família? Ter outro pai que não o que eu tive? Outra mãe? Outros irmãos? Outros filhos? Outros amigos? Outra filha que não você, pedaço adorado de mim?

Não. A idéia é insuportável para mim. E naquela conversa que tivemos vi que para você também. Filha. Minha vida seria miseravelmente triste sem você. Não é que eu não queira outra vida. Eu desprezo, eu renego o que quer que seja que signifique viver sem as pessoas e os lugares que amo. Filha. O professor americano está morrendo, e tem uma filhinha pequena. Menor que você. Ela não entende as coisas direito ainda. Ele disse que quer que ela saiba, quando crescer, que ele foi o primeiro homem que se apaixonou por ela. Achei isso lindo, triste, é verdade. Mas mais lindo que triste. Uma declaração de amor sublime. A sensação de que foi tão amada pelo pai morto tão cedo haverá de dar força à pequena filha do professor na hora certa.

Filha. Eu também. Fui o primeiro homem a se apaixonar por você, e se há uma coisa certa é que nenhum outro a amará mais do que eu, por mais que a ame. Sua pequena mala. Quando ela está em casa o papai fica muito feliz. A cabeleira rebelde ruiva vai dominar e alegrar a casa. Um dia você terá idéia de como ver a seu lado as trapalhadas de Michael e Dwight, ou as de Joey e seus amigos, tornou a vida do papai melhor. O jeito furtivo como olho com adoração para você quando você está entretida com Michael. Se você um dia ler o que estou escrevendo, queria que você levasse sempre essa imagem com você: meu olhar furtivo e amoroso para você. Gosto da forma sutil como você cobra minha atenção ao ver as comédias, quando ameaço pegar um livro ou uma revista, e gosto ainda mais quando você coloca seu travesseiro na barriga do papai e põe sua pequena cabeça dourada nele.Nada nos tirará isso, filha. Pode parecer bobagem o que estou escrevendo, mas o tempo vai mostrar a importância das nossas noites cômicas.

Mais para a frente vou colocar Rei Leão para vermos juntos. Lembro que você chorou na primeira vez, mas na segunda talvez a gente consiga alguma coisa além das lágrimas. Ali há uma lição, assim como na mensagem do professor que está morrendo. O ciclo da vida. Me ocorreu uma frase de um filósofo chamado Sêneca que levo sempre na mente. Ele estava escrevendo a um discípulo, Lucílio. "Por mais que te espantes, aprender a viver não é mais que aprender a morrer." Passamos tanto tempo atormentados pela idéia da morte, esmagados pela finitude das coisas, que morremos mil mortes antes de finalmente morrermos. Este o sentido da frase da Sêneca. Espero que você um dia você leia Sêneca, filha. Viver sem o terror da morte é viver uma vida bela, não importa a quantidade de anos. É esse o ensinamento de Sêneca, e também o do professor americano. As pessoas pensam que falar de morte é mórbido, mas não é, filha. O que na verdade faz mal é não falar de morte, como se ela não existisse. Se falamos dela, se a encaramos com naturalidade, vivemos uma vida boa. Se fingimos que ela não existe, somos esmagados pelo seu fantasma a cada dia.

A cena do Rei Leão que quero ver com você é aquela em que o Simba e seu pai contemplam do alto da montanha a imensidão do céu e as estrelas. De alguma forma estarei ali, sempre olhando por você, diz o pai a Simba com voz grave e firme, cheio de força e sabedoria. Eu também estarei ali sempre olhando por você, Camila, pedaço adorado de mim.

5 comentários:

Milena Maeda disse...

"Primito" querido !!!! Fiz uma visitinha no seu blog. Achei que teria apenas um único post, que ilusão. O ócio não é uma virtude sabia? Hahahaha, brincadeira, tá bem legal. Gostei desse texto (foi o único que eu consegui ler inteiro), talvez você seja um bom pai, apesar de primo desnaturado. O blog é bem versátil, parabéns.
Bjs

La Bruja disse...

Queridão, amei a surpresa e, obviamente o tema... e lembre-se de que você tem em mim um público garantido tanto para piadas como para textos-cabeça. Vou te colocar linkado com o meu blog, que tb uso para deixar as idéias e os sonhos voarem... Entra no meu depois... cocinadebruja.blogsport.com
Beijão!!!

Maria Teresa disse...

Muito bom, gostei muito. O artigo procede, você tem um exemplo dentro de casa, risos. Agora é preciso que uma mãe fale sobre a preferência por filhos mas neste mundo machista que vivemos.....
Me empresta A Balada do Café Triste e A Casa de Papel?
Beijos, parabéns e continue assim.

Leo disse...

Fala JP. Te linkei no meu blog. Continue escrevendo ai. Um abracao, leo

Marina Sabino disse...

Hahahahahaha
É bem verdade que eu sempre ganho nas disputas com meu pai... Algumas vezes até injustamente, confesso. Mas nem sempre as meninas são mais fáceis de se criar que os meninos, né.....

bjo