quinta-feira, 17 de julho de 2008

B O S S A N A O C A


Mixwit




No final de semana passado visitei a exposição "Bossa na Oca" no Parque do Ibirapuera. Dessa vez eu consegui entrar, mas na semana passada estive lá e dei de cara com a porta, pois a exposição sequer tinha sido aberta ao público (eu nem me dei ao trabalho de ler a matéria do jornal até o fim, saí correndo pro Parque do Ibirapuera...kkkk).



Sou suspeito pra falar pois tenho uma relação de amor e paixão com a Bossa Nova. Todo amante desse gênero musical recorda-se da primeira vez que escutou "Chega de Saudade". A minha "primeira vez" foi aos 16 anos (perdi o cabaço musical tarde, confesso) e desde então meu interesse pelas músicas e histórias desse movimento musical só aumentam. Escutar discos por horas e horas, ler 10 vezes "Chega de Saudade" de Ruy Castro, rir e chorar com a biografia de Vinícius de Moraes (O Poeta da Paixão - José Costello), garimpar em sebos as biografias de Tom Jobim (todas esgotadas...) tentar ler "Bim Bom" (livro de Walter Garcia Jr. - que, inclusive, assina a curadoria da exposição) sem entender nada de teoria musical....quem ama Bossa Nova sabe do que eu to falando.



A Bossa Nova é tão presente e marcante na minha vida que, pasmem, eu cursei Ciências Sociais por causa dela! Sim, é verdade. Aos 18 anos, fazendo cursinho, tão perdido na vida e com tantas decisões importantes a tomar (profissão, faculdade, cidades, amores, amigos) a Bossa Nova era uma das únicas coisas que me davam tranquilidade e me coloca nos eixos. Decidi que eu deveria estudar algo que me desse o mesmo prazer que ouvir os seus discos. Música estava fora de cogitação porque não tenho o mínimo talento para fazê-la...Não foi precisamente na minha Faculdade (FFLCH-USP) que eu estudei Bossa Nova mas sim nas matérias optativas que eu escolhia todos os semestres na ECA (Escola de Comunicação e Artes - USP), principalmente com o excelente prof. Waldenyr Caldas, onde passávamos todas as quartas pela manhã escutando música, analisando as letras (não só da Bossa Nova, mas também da Tropicália, Chico Buarque, etc.), situando-as no contexto histórico, político e social do país.



Bom, a exposição, como o próprio nome diz, está na Oca, Ibirapuera. Logo, tudo gira em torno da modernidade: o espaço (projetado por Niemeyer), a época (Anos Dourados de Juscelino Kubitschek (o "presidente bossa nova"), a tecnologia, etc.



A Bossa Nova surgiu no Brasil num momento em que o otimismo era a tônica, e a modernidade era a palavra de ordem. A democracia, a nova capital, os novos bens de consumo, a vitória na Copa do Mundo de 1958, faziam parte dos já citados "Anos Dourados". No tocante à música, propriamente dita, três filmes expostos no 1º andar tentam explicar o que foi a invenção da bossa nova, a partir de suas três influências básicas. Ela se construiu a partir de quatro elementos sonoros: o samba, o jazz americano, a música erudita e o silêncio. Este último simboliza o ouvido absoluto de João Gilberto e está representado na câmara anecóica (uma sala com 100% de isolamento acústico), que vale a pena a espera na fila para conhecê-la.



No segundo andar, os visitantes podem se sentar num enorme e confortável sofá e ouvir grandes composições da Bossa Nova enquanto apreciam a projeção do mar ocupando toda a superfície da cúpula da Oca. Sublime.



A Bossa Nova foi uma onda que se ergueu no mar (desculpe o trocadilho) e carioca como é, precisa da praia! No subsolo da mostra, para reconstituir o ambiente de sua gênese, foi feita uma réplica da famosa calçada de Copacabana, com direito à areia branca e iluminação que muda de tom de acordo com a hora do dia.





5 comentários:

Tania Campos disse...

Caí no seu blog por acaso e gostei muito, muito! Voltarei sempre ;-)

Johnny na Babilônia disse...

Obrigado, querida.
Volte sempre! Procuro atualizá-lo todos os finais de semana.

Me ajude a divulgá-lo!

Abraço,

Lameska disse...

Pequeno, nem preciso citar a INVEJA que estou de vc por ter ido a essa exposição, né? Sabemos bem da paixão que temos por esse movimento, que ultrapassa as fronteiras musicais e chega ser uma filosofia de vida para os seus admiradores. Eu, certamente, sou um deles.
Já que estou aqui, não me custa mencionar que o blog está muito bacana. Massa mesmo. ADoro ler suas divagações, inquietações e críticas. Sempre me identifiquei com o seu tipo de humor.
E que coisa linda que vc escreveu para a pequena Amanda!!! NOssa, conheço vem a sua porção romântica e devo reconhecer que ela está em seu nível mais elevado!!!! Nunca o vi tão apaixonado! E olha que vcs ainda nem foram oficialmente apresentados, né??? Esse encontro vai dar o que falar, já tô vendo! rsrsrsrs...
Certamente, Amanda nasceu abençoada. Não só pelos pais especiais que Deus escolheu pra ela, mas também por tê-los feito escolher o melhor padrinho pra ela.
Agora que já enchi muito a sua bola, aproveito pra dizer que não se escreve PINDURADA, mas sim PENDURADA!!!!! Vc não aprende mesmo, né? tsc, tsc...
Beijo enorme.
Saudades!

PS: Telefone fixo é coisa do passado, filho! Sai dessa! Continuo com o fone de Barreiras e também já tenho um daqui de SSA.

Téa disse...

Saudações, Johnny.
Cai de pára-quedas no seu blog. Joguei no Google "Bossa Nova" e eis que me surge seu blog.
Preciso montar para o colégio, uma revista literária. Sai caçando dados, e estou aqui agora rs. Neste trabalho preciso dar dicas de leitura, e obviamente seu blog será mencionado.
Bjs.

Johnny na Babilônia disse...

Obrigado, Téa!

Seja bem-vinda!

Procuro atualizar o blog todos os finais de semana.

Tenho muito material sobre a bossa nova e outras coisitas para te ajudar na sua Revista. Se precisar de algo, entre em contato comigo.

Bjao!