sábado, 30 de agosto de 2008

Livros - Lavoura Arcaica (Raduan Nassar)


A partir do que eu posto sobre livros, vocês podem pensar que eu só leio livros bons, ou pior, que eu julgo todos os livros que leio bons. Longe disso. Vira e mexe pego um livro ruim para ler. E aí, ou paro no começo/meio ou se, romanticamente, ainda acredito que ao final haverá um "pulo do gato" genial, termino a leitura. Mas escrever posts sobre livros, só mesmo para os bons.

Acabei de ler um livro genial: Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar (Cia das Letras, R$ 36,00). O livro narra em primeira pessoa a história de André, filho de uma típica família patriarcal. Ou seja, é o pai a referência de sabedoria e obediência. A narrativa é construída a partir de tormentos e angústias, entre eles, o amor avassalador que André sente pela irmã Ana. Não sabendo como se encaixar nos parâmetros estabelecidos pela família e, devido ao seu constante tormento (Ana), André se rebela contra as tradições agrárias e patriarcais impostas por seu pai e foge para a cidade, onde espera encontrar uma vida diferente da que vivia na fazenda de sua família. Cabe ao irmão mais velho, Pedro, ir buscá-lo. É neste ponto que André passa a contar-lhe, de forma amarga, as razões de sua fuga e do conflito contra os valores paternos.

Há uma grande semelhança entre esta obra e filosofia alemã clássica, principalmente Nietzsche e Schopenhauer. Elementos como: misantropismo; dualismo masculino/feminismo; aversão à autoridade religiosa e moral; crítica ferina ao cristianismo e à sua idéia quadrada de sexualidade, etc. André é o autêntico profeta de "Assim falou Zaratustra". Aquele que saiu da cidade, se retirou em uma montanha em busca de transmutação dos valores mas, ao voltar para pregar e ensinar o que aprendeu, não é compreendido pelos homens.

Enfim, André com seus desejos e fraquezas, sua sensibilidade altamente aflorada é Humano, Demasiamente Humano. Lavoura Arcaica é uma obra que questiona valores, tradição e o poder efetivo da família. É um drama tenebroso e trágico, mas ao mesmo tempo, lírico e magistral da eterna luta entre a tradição e a liberdade.

2 comentários:

Lia Lee disse...

Lavoura é DUCA!!!

Já leu Um copo de cólera???

Parabens pelo bom gosto.

Anônimo disse...

Sugiro que assista o filme (talvez até repita...)