domingo, 28 de setembro de 2008

O Big Brother vem aí!!!!


Concordo que a tecnologia pode e deve ajudar na prevenção e combate ao crime, mas essa notícia não deixa de ser assustadora!!! Estamos, a cada dia, rumando para o Big Brother. Aquele de George Orwell em 1984....




Câmeras 'falantes' reduzem crimes


Sistema utilizado em Piracicaba (SP) diminuiu em 70% os furtos de carro e deverá ser copiado em três cidades Renato Machado Passava da meia-noite quando o ladrão encontrou sua vítima perfeita. A Praça Enes Silveira Melo, no centro de Piracicaba, estava praticamente deserta e um homem, aparentemente bêbado, dormia com um dos braços sobre sua valise. Lentamente, o ladrão foi retirando o objeto. Quando conseguiu, saiu andando calmamente, até ser surpreendido por uma voz, que ele não sabia de onde vinha: "Você que roubou uma bolsa. Largue agora porque uma viatura da Guarda Civil está a caminho." Assustado, ele jogou tudo no chão e saiu correndo. Ouça trechos das 'câmeras tagarelas' Embora tenha surpreendido o ladrão, as vozes já começam a fazer parte do dia-a-dia dos moradores. Piracicaba, cidade de 360 mil habitantes na região oeste de São Paulo, foi pioneira na implantação, há um ano e meio, de um sistema de segurança que une câmeras de vídeo e alto-falantes. Agora a medida começa a ser copiada e, até o fim de 2008, outros três municípios paulistas devem ter as "tagarelas", como são chamadas. "É uma aposta na educação, em vez de aplicar penalidades aos infratores", diz o capitão da Guarda Civil Municipal de Piracicaba, Silas Romualdo. Ele acrescenta que houve uma redução de 40% nas ocorrências registradas e de 70% no furto de carros na região central, após a implantação das 64 câmeras - 8 delas equipadas com os alto-falantes. O custo total foi de R$ 2,3 milhões. Embora o objetivo inicial fosse reduzir a violência, grande parte das mensagens transmitidas atualmente é direcionada para as questões de trânsito e para dicas de comportamento. Excetuando-se casos urgentes, como o roubo de madrugada na praça, as mensagens não costumam ser direcionadas especificamente para uma pessoa. Quando um pedestre atravessa uma rua fora da faixa de segurança, por exemplo, escuta: "Não atravesse fora da faixa exclusiva para pedestre; evite acidentes." O aposentado Henrique de Oliveira Dorta, de 80 anos, passa quase o dia inteiro na Praça José Bonifácio - onde há uma "tagarela" - para reforçar sua renda realizando passeios com crianças em pequenos carrinhos. Ele diz que escuta as mensagens a todo momento, embora as pessoas finjam não se importar. "Elas ficam sem graça e por isso não corrigem o comportamento na hora. Mas, quando elas voltam, sempre obedecem às regras para não passar vergonha", diz. No início da noite, a praça costuma ficar cheia de casais de namorados e, segundo os guardas-civis que operam as câmeras, alguns exageram nos carinhos. "Temos de tomar providências, sem causar constrangimentos", diz o guarda João Gilberto Carrandine, que costuma dizer: "Respeite o ambiente público. Não dê demonstrações exageradas de afeto. Atentado violento ao pudor é crime." A maioria dos moradores é a favor das "tagarelas" e diz não sentir incômodo com as intervenções. Os namorados Diego dos Santos e Letícia Lage, ambos de 20 anos, dizem que as mensagens poderiam ser mais freqüentes, já que ainda há muito desrespeito às leis de trânsito. Os dois costumam se encontrar quase diariamente na hora do almoço e no final da tarde para namorar. Mas garantem que nunca foram advertidos publicamente. Mas não foram todos que aprovaram o novo sistema. As prostitutas que costumavam trabalhar na Avenida Governador Pedro de Toledo, por exemplo, tiveram sua clientela reduzida após a implantação das tagarelas. "Sempre que um carro começava a parar, a gente avisava: 'Essa é uma área de grande incidência de furtos; evite parar'. Aí o motorista percebia que estava sendo filmado e ia embora", diz o coordenador da Central de Monitoramento Eletrônico (Cemel), Sérgio José Gomes, que repete um bordão usado em grande parte das mensagens: "Estamos de olho na sua segurança."

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