domingo, 28 de setembro de 2008

A paixão baiana de Vinícius: o amor do poeta e Gessy Gesse




A paixão baiana de Vinícius: o amor do poeta e Gessy Gesse


Hagamenon Brito Redação CORREIO


A primeira vez que Vinicius de Moraes (1913-1980) viu Gessy Gesse foi numa pizzaria no Leblon, no Rio, em 1969. Ele, carioca, já era um dos maiores poetas brasileiros, um dos pais da Bossa Nova. Ela, atriz do Cinema Novo baiano, estava na companhia da cantora Maria Bethânia e de outros conterrâneos que moravam na capital carioca.Depois de receber um torpedo (que guarda até hoje) com o número do telefone de Vinicius, Gessy ouviu de Bethânia: 'O poeta está apaixonado por você'. Esperto, o escritor combinou com todos que estavam na mesa com a atriz que, aos poucos, saíssem do restaurante e deixassem Gessy sozinha. E foi assim que ele, aos 56 anos, deu o bote na bonita morena de 31 e ascendência índia e portuguesa. Casamento foi realizado um ano após o primeiro encontro (Foto: Acervo pessoal)Um ano depois, Vinicius e Gessy se casavam numa cerimônia alternativa, em Salvador. As fotos do poeta, vestido de bata branca e com coroa de margaridas, geraram polêmica no Rio. 'Virou hippie, diziam. A maioria dos amigos de Vinicius, principalmente os intelectuais, ficou com ciúme de ele ter vindo morar na Bahia', lembra Gessy (a sétima mulher do escritor) na varanda do seu confortável apartamento no condomínio Pituba Ville. Casa de Itapuã No auge da ditadura militar, Vinicius decidiu viver um grande amor num bairro paradisíaco e pouco habitado de uma Salvador então provinciana. Em 1974, ele mandou construir para Gessy a famosa casa de Itapuã, um projeto de Jamison Pedra e Sílvio Robatto, com seis quartos. Da banheira da suíte do casal, o escritor podia ver o mar que amava, mas que não gostava de entrar na água por causa do sol e da areia. 'Apostei com Chico Buarque, que estava fazendo a casa dele e de Marieta, na Gávea, que quem terminasse a construção primeiro ganharia uma mesa de sinuca. Eu ganhei: nossa casa ficou pronta em nove meses, mas Chico nunca pagou a aposta', conta Gessy, musa de canções como Tarde em Itapuã, Morena flor e Regra três. Vinicius costumava ir tomar uísque na casa do médico Elsimar Coutinho, que ficava em frente à sua residência, só para observar os turistas que apareciam para tentar vê-lo. Diabético, tentava fugir do controle de Gessy tomando doses e doses de gim-tônica no Bar do Galo, vizinho da casa. O drible, porém, não dava certo, porque ele nunca levava dinheiro e era Gessy quem acabava pagando as contas. 'Dava um trabalho danado. Como ele trocava o dia pela noite, enquanto ele dormia, eu cuidava de tudo, dos afazeres cotidianos, e tinha de estar bonita e perfumada para dar colo quando ele acordasse, lá pelas cinco da tarde. Vinicius adorava ficar jogando conversa fora com os nativos e brincar com os bichos. A casa era uma Arca de Noé, tinha macaco, cachorro, gato, um veado chamado Toquinho (risos) e uma perua, Eurídice, que era o bicho preferido dele'. O amor cheio de liberdade de Vinicius de Moraes e Gessy Gesse foi eterno enquanto durou: sete anos. Visitando a sua ex-casa (hoje incorporada ao Mar Brasil Hotel) com a reportagem do CORREIO, a atriz diz que fica triste ao ver o poeta sozinho na praça que hoje leva o seu nome (na verdade, uma estátua de bronze de Vinicius sentado numa mesa, e que é sempre atacada por ladrões). A chama ainda vive, pois sim.O homem que a morena flor amou Demorou, mas finalmente, com a ajuda do ghost writer Luiz Afonso, Gessy Gesse terminou de escrever o livro que conta o seu romance com o poetinha: 'Vinicius, o homem que eu amei' está sendo negociado com editoras e deve ser lançado ainda este ano. 'É a minha visão particular sobre Vinicius. Ele tinha mil faces e eu quero mostrar o lado mais relaxado dele, o do gentleman e intelectual que, quando bebia, virava um gato vira- ata (risos). Demorei para concluir, porque não quis parecer oportunista', explica. Além de fotografias pessoais, o livro revela cartas e bilhetes apaixonados que Vinicius enviava para Gessy. Alguns, quando eles não estavam mais casados. 'Vivemos uma história intensa e muito bonita. Comigo, Vinicius se aproximou do povo realmente. Foi quando ele começou a compor com Toquinho e se popularizou'.




Gessy Gesse, o amor baiano do poeta Vinicius de Moraes (Foto: Márcio Costa e Silva)Da Bahia, conta 'filhinha' (como o poeta a chamava), Vinicius também gostava das relações familiares, do jeito de falar painho e mainha e do ritual de tomar a bênção. Embora não fosse do candomblé, ele admirava Mãe Menininha do Gantois, a quem considerava uma amiga.

Um comentário:

Anônimo disse...

Só tenho a dizer q conheço muito bem a Gessy e fico contente de ter noticias dela,até q enfim tia o livro vai sair