domingo, 19 de outubro de 2008

Frat - A podridão humana!

Ontem estava num shopping aqui em São Paulo, assistindo Ensaio Sobre a Cegueira, quando ocorreu um fato simples, banal, mas que gerou uma conversa super agradável e uma reflexão bastante profunda. O fato: cheguei à uma determinada escada rolante ao mesmo tempo em que uma senhora dos seus 60 anos (fato que ocorre todos os dias, seja na escada rolante, no elevador, na saída de um banheiro, etc.). Naquele breve 1s em que as partes se olham para ver quem vai entrar primeiro, instantaneamente dei um pequeno sorriso e fiz um sinal cortês com o braço para que a senhora tomasse a preferência e entrasse primeiro na escada rolante. Ela sorriu, tomou a dianteira e 3s após, virou-se para mim e disse: "a gente até estranha uma atitude educada como esta". Daí engatamos um breve papo muito agradável (ela além de educada era muito inteligente) sobre como a educação das pessoas, respeito pelo outro e principalmente pelos mais velhos. Ela me disse coisas interessantes sobre o fato de nós, sem que percebamos, acabamos por nos "brutalizar" cotidianamente. É vero. Parem para pensar o quanto discutismo, xingamos à toa no trânsito, etc. Ou mesmo não respeitamos pedestre, faixa de trânsito (isso eu acho o cúmulo, o "ó do borogodó"!), idosos, etc. E a crítica que eu faço nem é pela atitude em si, mas muito mais pela causa dela. É a convivência numa sociedade da urgência, do individualismo, do sectarismo que acaba, dia após dia, nos brutalizando sem que percebamos.

By the way, mas um pouco a ver com o tema, assistam este excelente curta-metragem, em 3D, produzido pelos estudantes da escola francesa ESMA, Sebastien Durand, Julien Limon, Aurélien Peis e Cédric

http://www.esma-montpellier.com/home-en.html

O documentário conta a história de um mundo onde os ferimentos das pessoas transformam-se em pedra lentamente. Apenas Sai, o personagem principal, tem o poder de curar essa doença, utilizando seu sangue. Ocorre que seu irmão mais velho, Vlad, um delinquente drogado, o maltrata e depois usa seu poder para curar as feridas e se recuperar. Apesar disso, Sai nutre um grande amor e carinho por seu irmão. Até que, um dia, Vlad empresta Sai a uns amigos de sua gangue. Eles curam seus machucados, mas acabam por espancá-lo até deixá-lo inconsciente. Em seus devaneios, Sai descobre que também possui dentro dele, no fundo enterrado, uma pedra.

Assistam este curta sombrio e dramático que pode ser interpretado de diferentes formas, dependendo da pessoa que o ver.




Minha interpretação é de que todos temos algo podre dentro de nós, a pedra. E essa pedra pode nos contaminar, ou não. No caso de Sai, o problema não estava nas agressões físicas por parte do irmão, pois para isso havia sempre o perdão. As crianças inocentes vêem os mais velhos como heróis, independentemente do que eles façam. Ocorre que na última cena, o irmão comete uma violência contra os seus sentimentos. E ali, acompanhado de uma dor no âmago, incurável, Sai tem a revelação: a verdadeira podridão e os defeitos de quem ele venerava. Sai não é mais criança. Ali ele perdeu sua inocência. Tomou a consciência fatal de havia uma pedra de rancor e ódio dentro dele.

Mas, ao invés de botar pra fora toda o seu ódio, rancor, arremessar sua pedra, Sai acaba por se desculpar do irmão (repare que ele pede perdão!) ao pisar na foto. Ou seja, ele toma aquela decisão pro próprio bem do irmão, pois tem consciência de que não pode ser o meio de cura dele para sempre. Obriga-o a criar seus próprios meios de sobrevivência.

2 comentários:

Lia Lee disse...

Concordo, Johnny: essa sociedade neo-liberal que tem fachada de politicamente correta formou uma bela geração de filhos-da-puta, mal-educados e superindividualista. A coisa que mais me deixa revoltada é o tanto de gente que pega onibus de mochila nas costas e nunca tira a mochila. A porra da mala ocupa lugar de mais uma pessoa e soca a cara de todo mundo!

Johnny na Babilônia disse...

kkkkkkkkkkk

adoro essas suas revoltas esquerdistas-cotidianas!

beiijoosss