domingo, 12 de outubro de 2008

Manga Sabina, Presente Uberabense


A história da minha família!


Dr. Alfredo Sabino de Freitas - Meu avô!


Fernando Sabino - Meu bisavô!



As Mangas, Presente Uberabense


Autor: Jorge Alberto Nabut

Certamente o mais típico, e mais simpático dos costumes uberabenses foi, até um bocado de tempo atrás, o de presentear com mangas os amigos distantes. Substituída hoje em dia pela gentileza de dar doce de leite e queijo mineiro inclusive aos donos de programa de TV a manga foi, num passado bem recente, a fruta adequada para se agradar aos amigos. Uberaba foi marcadamente o centro produtor da manga, no Brasil Central. A ponto de aqui mesmo surgirem algumas variedades importantes desta fruta tão gostosa, como a manga Uberaba, a manga Prata, a manga Ribeira e finalmente, a mais apreciada de todas as mangas, a manga Sabina. E era esta última que fazia o nome e o sucesso nosso lá fora. Como ainda faz.Somente um consumidor comum e anônimo pode hoje em dia preferir uma manga nova, sem fiapos (mesmo sem os fiapos) à manga Sabina. Quem tem paladar, não aceita nunca outra manga no lugar da Sabina. “As linhas, a gente tira com toalha, nunca com o palito ou fio dental”, afirma o Dr. Alfredo Sabino de Freitas, ao repórter. Filho do mais importante exportador de manga, Sabino, lembra o trabalho do pai, Fernando Sabino de Freitas (1889-1967), um dos mais importantes comerciantes de Uberaba. Foi o conhecido Fernando Sabino quem iniciou o comércio de exportação de mangas para São Paulo e Rio. Em épocas de safra da fruta, ele colocava anúncios no “Estadão” e nos jornais locais. Os interessados lhe encomendavam tantas centenas de manga e ele as despachava. Os uberabenses o encarregavam de enviá-las às cidades distantes. Quando a manga Sabina se esgotava, Fernando Sabino enviava manga Bourbon, a segunda mais aceita na época.Isto faz muito tempo. “Meu pai trabalhou uns 30 anos no comércio de manga. Até a data dele morrer”, afirma Dr. Alfredo Sabino.
NOMES DE CHÁCARAS DE ANTIGAMENTE
Três chácaras fixadas perto da cidade foram as responsáveis pela grande produção de manga em Uberaba. A chácara de Alexandre Barbosa, onde fica hoje Avenida com o dito nome, (a mais importante de todas, referindo-se ao plantio de mangas) no Alto das Mercês; a chácara de José Benedito da Silva Campos, no parque das Américas; e a chácara Boa Esperança, de Crispiano Tavares, no alto dos Estados Unidos. Justamente com o progresso da cidade, a necessidade de loteamentos que deram fim à essas excelentes e bem cuidadas plantações dessa fruta tropical. Um produto que havia sido explorado comercialmente em décadas passadas (em 1953, em publicação feita pela Prefeitura Municipal de Uberaba, “Atualidades de Uberaba”, entre as culturas permanentes da cidade, a manga é uma das duas frutas citadas, ao lado da laranja, e sua produção era de 78.000 centos, num valor em cruzeiros de Cr$ 3.510.000,00; já em 64, manga não é mais incluída nos dados da Prefeitura) encontra-se hoje esquecida, desusada comercialmente e o que é pior, danificada. Praticamente toda manga adquirida hoje em Uberaba, está estragada. O desleixo e a falta de interesse de vários, (autoridades etc.), relegaram (por total falta de cultura e de percepção comercial) a manga Sabina.Já na década de 30, os agrônomos da cidade debatiam na imprensa o problema da falta de apoio que a manga uberabense vinha sofrendo. A revista “A Rural”, vol. 1 nº4 (ano 1º); Uberaba, janeiro de 1934, traz artigo de seu editor-diretor: Engº Agrônomo José Maria dos Reis, intitulado “As Mangas de Uberaba”, reclama:“Infelizmente, porém vai este nosso explêndido artigo, a manga, de exportação para São Paulo e Rio se amesquinhando e perdendo o conceito que já vinha ganhando nesses bons mercados devido à maneira por que se faz essa exportação.Os exploradores desse artigo, que compram de primeira mão aqui, para revendê-lo adiante, não têm o menor cuidado na sua embalagem, e, devido a essa embalagem, chega a saborosa manga “Sabina”, que é realmente uma delícia, para os paladares mais exigentes, ao seu destino, completamente deteriorada e modificada no seu paladar, pelo amadurecido forçado a que fica sujeita.A pouco tempo, pelas nossas colunas, fizemos um apelo aos pomicultores uberabenses, e extensivos ao público, no sentido de se por um paradeiro, o descrédito de nossa manga, concitando aqueles a se agremiarem numa cooperativa, para evitar-se o intercâmbio danoso, a este para cogitar de medidas que regularizam a maneira de se exportar a fruta, cuidando-se melhor da sua embalagem. Nada, porém resultou”.
AS QUALIDADES
Manga Sabina (que tem este nome devido às excelentes mangas plantadas no quintal de uma certa preta ex-escrava de nome Sabina; todos diziam: “Vamos buscar manga lá na Sabina” e pegou. Aquelas mangas saborosas ficaram com o nome da preta), manga Comum, ou mais conhecidas como Chico Prata, dono da fazenda onde hoje é a chácara Boa Esperança, no alto dos Estados Unidos; manga Espada, manga Bourbon (que segundo a tradição conta, seu bico adunco se parece com o perfil, ou mais precisamente com o nariz da família Bourbon); manga Coquinho, manga Uberaba, manga Ribeira, manga Itamaracá (originária da ilha de Maracá, Bahia). Estas são as mangas mais comumente encontradas em Uberaba.
INTEGRAÇÃO NA PAISAGEM
Uberaba, desde seu início é urbana e paisagisticamente integrada por densos mangueirais. E eles são, ao mesmo tempo o que a cidade tem. Seus volumes verde escuro, arredondados, compõem com o vermelho amarronzado e geométrico dos telhados, a nossa mais típica paisagem. Assim, o verde e o vermelho, distribuídos sobre os morros uberabenses, como uma cidade européia, o cenário coerente, humano, esteticamente perfeito da nossa Uberaba, digno do melhor Cézanne. A recente desvalorização das mangas (sob o aspecto comercial de exploração de nossas frutas, principalmente as Sabinas) e das mangueiras (sob o aspecto estético) só nos leva a perder. Uma tomada de conscientização em relação aos nossos valores tradicionais e radicalmente integrados na nossa paisagem urbana, como a mangueira e a manga, nos levará e nos legará de novo uma reconciliação econômico/estética, tão necessária ao nosso desenvolvimento comunitário e ao equilíbrio visual do cenário urbano.

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Out 2008

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