sábado, 4 de outubro de 2008

Os significados da recusa do Pacote Econômico de Bush



MIGALHAS

Fora Bush ! Esta máxima não é uma pregação revolucionária da esquerda latino-americana. É apenas o recado claro que os deputados de ambos os partidos deram para o atual presidente da América. Ficou provado que o pior presidente da história americana não tem a menor credibilidade para socorrer o país no pior momento econômico desde os anos 30. É sensível esta posição da Câmara Americana, mas a sua atitude não pode ser considerada como inesperada. Uma vitória da democracia A despeito do fato de que medidas urgentes e relevantes sejam tomadas para controlar a crise a um fato inquestionável : a Câmara dos Representantes americana não é "órgão de despacho" do executivo e dos bancos americanos. Apesar de todo o peso político de Wall Street e da arrogante presença dos executivos do mercado financeiro em Washington está evidente que a Nação estava inquieta com os passos no Congresso para salvar um sistema que especulou, lucrou e quebrou. Por que o erário teria de salvá-los ? O que foi feito pelo setor real, pelos trabalhadores inadimplentes e pelas imensas áreas que já sofrem os efeitos da recessão ? Estas são perguntas que teriam de ser respondidas (e não foram !) no conjunto de medidas negociadas pelos líderes políticos do país. Pesquisas de opinião já mostravam que a opinião pública perguntava-se : por que não salvar os inadimplentes e sim os bancos ? Ora, o sistema financeiro existe para redistribuir de forma eficiente os riscos do mercado e dos agentes. O que se viu nos últimos anos nos EUA e na maioria dos países desenvolvidos foi um acúmulo enorme de lucros pelos investidores com riscos cada vez mais crescentes (e irresponsáveis). Foi este cenário que fez com que a decisão dos deputados pendesse para o não.

Bush não tem MP à disposição

Invenção da ditadura militar o Decreto-Lei deu origem a Medida Provisória (MP). É usada para tudo, de matérias urgentes às mais banais. De um modo geral, pode-se dizer que é um desrespeito à democracia e à representação popular. De Sarney até Lula, passando pelo "democrata" FHC, ninguém abdicou desta ferramenta. Útil para impor a vontade do Executivo. Se Bush tivesse este instrumento, hein ? Ele adoraria e exercitaria os seus pendores autoritários.

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