sábado, 5 de setembro de 2009

Dez de Agosto - Lula Borges

Submitted by lulaborges on Thu, 20/08/2009

Banânia

O Luiz Ryff fez um post curto, com cara de twitt, sobre o dia de ontem em que o PT contabilizou a saída de Marina Silva e Flávio Arns enquanto sua bancada salvava o pescoço de José Sarney (e “contabilizar”, como demonstrou Delúbio Soares, não é o forte do partido). Vejam o que Ryff escreveu aqui.

O verdadeiro dia deste mês a ser lembrado quando alguém for contar a história do PT e do governo Lula não é este, mas o 10 de agosto de 2005, este sim o dia que poderia ter dado uma guinada na história do Brasil mas que acabou apenas pavimentando o caminho para que hoje Lula, Renan Calheiros, Fernando Collor e José Sarney criassem um colegiado para governar o país com a ajuda de obreiros dedicados como Wellington Salgado, Almeida Lima, Paulo Duque, Ideli Salvatti e a benção de Edir Macedo.

Num dia em que se lembrava 10 anos da morte de Florestan Fernandes, um dos símbolos da primeira formação do PT, o publicitário Duda Mendonça apareceu sem ser convocado na sessão da CPI dos Correios em que sua sócia, Zilmar Fernandes, seria ouvida. O que aconteceu naquele sessão, até hoje, é difícil de acreditar.

O marqueteiro de Lula pegou o microfone e disse, em cadeia nacional e para quem quisesse ouvir, que os milhões de dólares destinados ao pagamento de seu trabalho foram entregues numa conta no exterior, num paraíso fiscal nas Bahamas, com dinheiro de origem desconhecida. A transação teria sido operacionalizada por outro publicitário, Marcos Valério. Ninguém até hoje negou que isso realmente tenha acontecido.

O presidente do senado, na época, era ninguém menos que Renan Calheiros. Ele se mostrou, para dar ares ainda mais surrealistas ao momento, muito preocupado: "o depoimento [de Duda Mendonça] nos remete a um cenário pantanoso de ilegalidade, incompatível com a legislação brasileira. Sonegação fiscal, evasão, conta no exterior, são coisas que precisam ser investigadas o mais rapidamente possível. Nada pode ficar sem resposta."

Pela lei eleitoral vigente no Brasil, este fato implicaria não só na nulidade da eleição presidencial de Lula como também na cassação do registro partidário do PT, a extinção formal do partido. Seria o fim da linha para um governo que depois, e pelo que fez nesta época, foi apresentado numa ação criminal pelo procurador-geral da república como uma “quadrilha”, uma “sofisticada organização criminosa”.

Enquanto Duda Mendonça mostrava ao Brasil um pouco do modus operandi petista, na Câmara 21 deputados declararam que estavam deixando o partido e pelo menos seis choraram: o ex-líder Walter Pinheiro (BA), Chico Alencar (RJ), Doutor Rosinha (PR), Iara Bernardi (SP), Luiz Bassuma (BA) e Orlando Desconsi (RS). O senador Arthur Virgílio declarou: "governo Lula acabou oficialmente hoje". Só que neste dia o que acabou foi uma geração inteira de brasileiros.

O impeachment de Lula teria sido ainda mais didático ao Brasil do que o de Fernando Collor, mas optamos por seguir em frente e não sermos assim tão literais em relação à lei e ao estado democrático de direito, essa frescura burguesa. Demos os ombros e seguimos em frente. Um país é fruto de suas escolhas.

O dia 10 de agosto é também o dia de São Lourenço, um diácono que viveu no século III em Roma. O santo era o administrador do caixa da Igreja e cuidava pessoalmente da distribuição do dinheiro arrecadado aos pobres. Quando o imperador Valeriano mandou que revelasse onde estavam escondidas as riquezas dos cristãos, São Lourenço levou à sua presença um grande número de viúvas, órfãos, doentes e pobres dizendo que aquele era o verdadeiro tesouro da Igreja.

O imperador, indignado com a insolência, mandou assar o santo numa grelha em brasa e ele morreu queimado lentamente. A partir de 2005, o dia 10 de agosto passou a ser também dos que cozinham a opinião pública em banho-maria, usam os pobres para seu próprio enriquecimento e ainda são canonizados por isso.

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