sábado, 5 de setembro de 2009

Richarlyson

Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Richarlyson: Mais que um homem, um exemplo


Esta é a coluna de ontem, que não pude publicar por motivos a vocês já contados.
Ontem eu estava reclamando com meu pai da escola, dizendo que ela enchia o meu saco, que me sentia deprimindo com a "má fase" dos últimos tempos. Na lata, antes de desligar o telefone, ele me respondeu: "Tá triste? Pensa no Richarlyson." Em um ato incomum nos últimos tempos, obedeci-o. E senti dificuldades em dormir. Porque fiquei pensando. E por bastante tempo. Confesso que caiu uma lágrima quando eu me lembrei do jogo entre São Paulo x Goiás, no ano passado, quando na comemoração pelo título, ao invés de gritarem o nome de Ricky (como gritaram o de seus 23 companheiros), entoaram um imbecil "Bicha! Bicha!"
Imagino como deve ser para ele ver a torcida Independente (depois falo dessas antas) gritando o nome do Sérgio Motta (com todo o respeito) e não o dele. Um cara que deu a vida pelo São Paulo em 2006, 2007 e 2008. Que para mim, mais que Thiago Neves e que Hernanes, foi o melhor jogador do Brasileiro em 2007.
O cara é xingado no Domingo, e treina na Segunda. Dando o máximo de si. É o mais simpático possível com os companheiros. Não deixou de me cumprimentar em todas as vezes em que visitei o CCT do São Paulo. Antes de eu ir lhe pedir autógrafo. Mais gente fina impossível. Humilde.
Eu não sei se Richarlyson é homossexual. Também não quero saber. Mas sei que ele é um exemplo. Um exemplo para todos que se sentirem mal em momentos difíceis. Pense em como é viver um momento difícil, tendo todos contra você durante mais de três anos seguidos. Sei que, desde os tempos do Aloísio, não vejo um cara tão gente boa no elenco do São Paulo. E olha que tem muita gente boa ali.
Não sei se os atos que ele faz são homossexuais. Não quero saber, afinal saber para que? Se eu descobrir que ele é um homo que pega 20 na parada gay, ou que ele é o cara mais macho do mundo, vou continuar tratando ele da mesma forma. Por tudo o que ele passou, pelo que ele passa, e pelo que ele passará.
As torcidas brasileiras são, em tese, muito escrotas. A Independente é uma das que passa muito da linha. Conseguem se rebaixar a um nível de imbecilidade e cultural tremendo, em um passe de mágica. Nada de bom sai dela. Músicas sem graça e racistas (quem não se lembra da que tem preconceito contra favelados?), atitudes impensadas (rezo para que, pois, se forem pensadas, aí chegarei a conclusão que eles tem um QI de formiga), preconceitos expostos e tudo que tem de ruim.
Eu não sei se ele é gay, mas tenho guardado e enquadrado um trecho de uma entrevista de Muricy Ramalho para a revista Trivela em Dezembro de 2006:
"Os caras adoram ele aqui dentro. Ele é alegre pra cacete, está toda hora pronto para tudo, nunca reclama de nada, é sempre um dos primeiros a chegar. É determinado e responsável: faz faculdade à noite, quando tem concentração eu libero ele para ir na aula. Ele sabe muito bem o que quer, por isso saiu desta situação. E ele brigou com coisa feia. Eu sei com o que ele brigou, e foi fodido. A palavra é essa. Foi um puta homem. Por isso é que ele superou essa situação"
Concordo com tudo o que Muricy disse. Os imbecis da Independente não têm mente para isso, mas espero que vocês tenham.

FORÇA RICHARLYSON! INDEPENDENTE QUE EMENDE! FORÇA RICHARLYSON!

Postado por Joaquim às 13:37
Marcadores: Colunas, São Paulo


=======================================================

Só amarrando as mãos para não aplaudir Richarlyson...



O comando da Polícia Militar de São Paulo não tem dúvidas.
A torcida uniformizada mais violenta, perigosa do Estado é a Independente.
Com sede no centro da cidade, ela é constantemente vigiada.
Nos jogos importantes do São Paulo sempre há dois cuidados dos policiais.
O primeiro é cuidar da Independente.
O segundo, proteger os demais torcedores do clube.
Essa fama, a Independente levou anos para conseguir.
O centro da capital paulista já ficou parado várias vezes por causa dela.
Os torcedores já foram a pé para o Pacaembu e para o Palestra Itália.
Mesmo com o cordão de isolamento feito pelos PMs, os torcedores xingavam a própria polícia enquanto iam para os estádios.
Não havia limite para a Independente.
Agora há.
E atende pelo nome de Richarlyson.
No Morumbi o que aconteceu ontem foi simbólico.
Ele foi o grande jogador da partida contra o Fluminense.
Correu, marcou, deu carrinho, driblou, lançou e fez o gol que decidiu o jogo.
Os torcedores comums foram além da comemoração.
De pé, batiam palmas, gritavam por ele.
E xingavam a Independente, que se manteve calada.
Estava claro que torcia contra o jogador do seu time.
Um absurdo.
Por puro preconceito.
O blog apurou que a orientação dos chefes da torcida é para ninguém se manifestar em relação a Richarlyson.
Um vigia o outro.
É proibido até comemorar dribles, desarmes e até gols.
Como aconteceu ontem.
Os chefes não suportam que o jogador não tenha uma postura que eles consideram ideal.
Eles desejariam que ele xingasse, cuspisse, falasse palavrões, tivesse voz mais grossa.
Uma postura que considerassem mais máscula, mais viril, mais troglodita.
Usasse um bigode mexicano.
Eles adorariam se ele se comportasse como o ex-jogador Serginho Chulapa.
Seria perfeito.
Para eles.
Uma grande bobagem.
A sexualidade da pessoa não está nas aparências.
Quem garante o que fazem e fizeram vários 'machões' em campo, longe da opinião pública?
A sexualidade é problema de cada um.
Não a dignidade.
E isso, o jogador tem de sobra.
O futebol de Richarlyson dá orgulho não só ao torcedores do São Paulo.
Não há quem não admire o seu talento, a sua garra em campo, mesmo gostando de clubes rivais.
O preconceito machista trava as discussões nos escritórios, nas redações, nos bares, entre os amigos.
Os são paulinos mostraram ontem à noite quem parece merecer o preconceito.
Com sua postura, a Independente está trasformando Richarlyson em um ídolo, talvez maior do que merecesse.
Está na hora de os chefes desta torcida entender o que está acontecendo ao seu redor.
Para não ficar cada vez mais isolada.
Já é considerada pela PM a mais violenta.
Agora a mais preconceituosa?
Qual o prazer de ser considerada a mais intolerante?
A que vibra contra um dos melhores jogadores do seu clube?
A que é xingada, vaiada pelos outros torcedores do próprio São Paulo?
Vale a pena comemorar o gol de Richarlyson em casa, longe de todos?



Escrito por Cosme Rímoli às 11h36
[(121) Vários Comentários] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]

Nenhum comentário: