sábado, 19 de dezembro de 2009

New kids on the block - Lucia Hippolito

Enviado por Lucia Hippolito -
28.11.2009
12h00m


A discussão sobre o pré-sal e a partilha dos royalties do petróleo entre estados produtores e não-produtores revela muito mais do que o desejo dos estados que não produzem petróleo em aumentar sua participação.
Essa é uma grande bandeira para um político que queira firmar sua liderança.
O jovem governador de Pernambuco, Eduardo Campos, de 44 anos, está à frente das reivindicações dos estados do Nordeste. Neto de Miguel Arraes, Eduardo Campos tem pretensões mais altas do que ser apenas um líder regional. Importante, mas circunscrito à política pernambucana.
Ao assumir a liderança das aspirações nordestinas, o governador reúne todo o Nordeste atrás de si. Supera, ao mesmo tempo, dois outros jovens: Cid Gomes, governador do Ceará (46 anos, irmão do deputado Ciro Gomes, já com 52 anos), e o deputado ACM Neto, 30 anos, herdeiro do espólio do avô.
Construindo uma liderança no Nordeste, Eduardo Campos pode se credenciar a ser, por exemplo, candidato a vice-presidente na chapa da ministra Dilma Rousseff, destronando o PMDB. Ou mesmo a vôos mais altos. Não em 2010, mas nos anos à frente.
Para isso, precisa manter-se líder de sua região e superar os jovens políticos do Sudeste e do Sul.
Aécio Neves, já veterano na política, tem apenas 49 anos. Líder incontestável de seu estado, tem ainda influência sobre outros estados do Sudeste.
Sergio Cabral Filho, uma das estrelas do PMDB, governa o Estado do Rio com 46 anos.
Mais para o Sul, o prefeito de Curitiba, Beto Richa, membro de ilustre linhagem política – filho do ex-governador José Richa –, tem 44 anos e desponta como possível candidato ao governo do Paraná.
Em Santa Catarina, o jovem prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinubing – também de ilustre linhagem política, filho do ex-governador Vilson Pedro Kleinubing –, tem 37 anos.
Enquanto isso, José Serra tem 67 anos, e Dilma Rousseff, 62. O presidente Lula, por sua vez, tem 64 anos.
De certa forma, os três representam a última safra de políticos forjados durante a ditadura. Já são quase passado.
Será essa nova geração de políticos que está despontando que vai discutir a federação, o esgotamento do sistema político, a reforma tributária, e tantas outras escolhas que o país terá que fazer.
Uma discussão mais voltada para o futuro do Brasil e menos preocupada com o espelho retrovisor, com as comparações entre governos que já aconteceram.
Serra e Dilma são mais do mesmo.
Os jovens políticos são o futuro.
Está em curso uma extraordinária sucessão geracional na política brasileira.

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