domingo, 10 de janeiro de 2010

Causo

João Gilberto Rodrigues da Cunha - 15/07/2009


Da nossa política


Sou leitor diário do que chamam Macaco Simão, gerente da coluna deste país de piada pronta na Folha de S.Paulo. Tem muita gente comigo nesta leitura. Afinal e cada vez mais, o nosso Brasil é líder mundial da piada pronta. Melhor ainda, em nossa habilidade diária transformamos dramas nacionais em piadas internacionais. Ou seja, se bom humor fosse moeda, o Brasil encaçapava a sete nas bolsas de negócios. Os que me conhecem e leem sabem como eu gosto de levar na gozação a grande piada que Pedro Álvares Cabral descobriu e nossos chefes vão aprimorando. Assim, como plágio, leio a Folha em suas páginas e colunas de seriedade – e corro logo pra ver na Ilustrada a análise do José Simão. Agora e nestes dias, ele está se ocupando com o Michael Jackson e as gandulas do society – e deixa algum espaço e liberdade para os nossos ops-políticos. Material abundante, aliás, desde que o Senado entrou em cena. Piada ali é o que não falta, e de alto calibre, mesmo porque o Lula está pondo o mundo em ordem (!) e deixa na desordem seus filhos naturais e desnaturais. O que assistimos é a um troca-troca de líderes, afirmações, compromissos, ninguém mais se entendendo nem sabendo aonde chegar, quem é quem e quem será. Olhe, meus amigos, este troca-troca de alto nível me lembra – no estilo Zé Simão – um troca-troca ocorrido na fazenda do Zé Humberto, meu irmão, testemunha da história, embora infelizmente morta. Mas eu conto o caso. Moravam na sua fazenda o Zé Grandão e o Tibó, empregados de tipos e costumes diferentes, porém preciosos e grandes amigos. Aos sábados, após o fecho da semana, iam ali no arraial do Veríssimo encontrar os amigos do jogo de truco e a boa pinga do cabaçal – era sua alegria. Pois bem, naquele sábado, o Zé recebeu um saldo de grana e o Tibó nada tinha pra receber, ia de companhia zerada. Na estrada e caminho, o Zé Grande viu um bom monte de bosta fresca de vaca, deitou falação: “Tibó, eu aqui vou com meus cinquenta no bolso tomar boa pinga, gozar a vida – e você fica na draga, só olho e inveja. E tem mais, medroso, porque se tiver coragem e comer este monte de bosta, eu lhe dou os cinquenta reais!”. Tibó, humilhado, “p” da vida, tomou fôlego, baixou mão e boca e traçou a bosta da vaca. Zé grande fez “eco” – mas pagou. A situação se inverteu na caminhada. Agora, o Tibó, ainda cuspindo e limpando a boca, ficou soberano. “Pois é” – dizia –, “seu Zé Besta, agora eu tenho meu cinquenta, vou jogar truco, mexer com as mulheres – e você vai ficar olhando, seu palhaço! E tem mais, se você tiver coragem e comer o resto da bosta, eu te pago os cinquenta!” Danou-se. O Zé, humilhado, baixou a boca na bosta, recebeu de volta os cinquenta, e continuaram a marcha heroica para o Veríssimo. Daí a cem metros, Tibó parou, o Zé também, e o Tibó concluiu: “Compadre, você reparou que nós comemos merda de graça?”. Pois é, meus amigos, tem gente assim em acertos pra todo lado. Em Brasília, então...
(*) médico e pecuarista

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